
O empresário libanês Moctar Sidina Aly Koureichi, conhecido por “Sherif”, de 54 anos, detém 51% do capital da sociedade Kassamba MC Weza – Comércio & Serviços, Lda., na qual participam três sócios angolanos, numa empresa com objecto social ligado à actividade mineira, ao comércio e à prestação de serviços de segurança, segundo dados societários em posse do Imparcial Press.
O libanês Sherif, que utiliza falsamente a nacionalidade maliana, esta envolvido na exploração ilegal de ouro em Samakwale, na margem do rio Cuango, província da Lunda Norte, sob a protecção de elementos ligados aos órgãos de segurança nacional, alguns dos quais são identificados como seus sócios.
A sociedade, com o Número de Identificação Fiscal (NIF) 5002816857 e sede indicada no bairro Cambundula, município do Cuango, província da Lunda-Norte, tem um capital social de 100 mil kwanzas e prevê, entre as suas actividades, a exploração industrial de diamantes.
Além de Sherif, que detém uma quota de 51 mil kwanzas, equivalente a 51% do capital, integram a sociedade Kumar Muatxiteno Fernando, com 24%, e Manuel Daniel e António Jamba, cada um com 12,5%.
Os dados apresentados indicam que Kumar Muatxiteno Fernando reside na África do Sul, enquanto Manuel Daniel e António Jamba têm residência declarada em Luanda.
A composição societária coloca os quatro empresários numa estrutura empresarial com interesses no sector mineiro, numa região onde a exploração de recursos minerais tem expressão económica e levanta desafios relacionados com a legalidade das operações e a fiscalização.
O falso empresário maliano é, entretanto, acusado por fontes locais de desenvolver actividades de exploração de ouro sem autorização ou licença, alegadamente fora dos limites da área da sua concessão mineira.
No local, estão presente mais de 20 mil cidadãos nacionais e estrangeiros que são utilizados como mão-de-obra barata pelo empresário Sherif, em condições laborais deploráveis e sem qualquer segurança.
A situação tem gerado indignação entre habitantes do Cuango, particularmente de Cafunfo, que consideram injusto o impedimento de as comunidades locais explorarem os recursos minerais existentes na região.