Funcionários do MAT preocupados com ocupação de cargos de chefia por quadros de outros sectores
Funcionários do MAT preocupados com ocupação de cargos de chefia por quadros de outros sectores
daniel MAT

Funcionários do Ministério da Administração do Território (MAT) manifestaram preocupação com a ocupação de cargos de direcção e chefia nas estruturas do sector por funcionários provenientes de outros departamentos ministeriais, sobretudo da Educação, defendendo a criação de um instrumento jurídico que regule e limite as mobilidades externas.

A preocupação consta de uma exposição dirigida ao ministro da Administração do Território, Daniel Félix Neto, a que o Imparcial Press teve acesso, na qual os funcionários do MAT consideram que a situação está a comprometer as oportunidades de progressão e valorização profissional dos quadros do próprio Ministério.

Segundo a exposição, o MAT dispõe de funcionários com experiência acumulada e formação especializada, ministrada por instituições como o Instituto de Formação da Administração Local (IFAL) e a Escola Nacional de Administração e Políticas Públicas (ENAPP), mas que continuam sem acesso a cargos de responsabilidade.

Os subscritores apontam que a situação não se limita às funções de topo, estendendo-se também a cargos técnicos, incluindo chefias de secção nas administrações municipais, que são frequentemente atribuídos a profissionais provenientes de outros sectores da Administração Pública.

A realidade, acrescentam, é particularmente visível na província da Lunda-Norte, onde grande parte dos cargos de direcção e chefia, tanto no Governo Provincial como nas administrações municipais, é ocupada por quadros oriundos de outros departamentos ministeriais.

Os funcionários manifestam ainda preocupação com a atribuição de determinadas funções a agentes sem experiência comprovada na Administração Pública, bem como com situações que, alegadamente, envolvem nomeações baseadas em relações de proximidade, em detrimento de técnicos do MAT com formação e percurso profissional considerados relevantes.

Para fazer face ao problema, os subscritores defendem a criação de um enquadramento jurídico que regule as mobilidades externas para as estruturas do MAT e salvaguarde os funcionários do Regime Geral integrados no sector.

A proposta admite, contudo, excepções para cargos de natureza política, como os de administradores municipais e respectivos adjuntos, assim como para funções sectoriais específicas, designadamente nas áreas da Educação e da Saúde, desde que devidamente justificadas pela inexistência de quadros com o perfil adequado.

Na exposição, os funcionários alertam que a situação tem provocado desmotivação, agravado o sentimento de desigualdade e comprometido a valorização dos recursos humanos internos, num contexto em que consideram pouco atractivas as condições remuneratórias do MAT, quando comparadas com as de outros sectores da Administração Pública.

Os subscritores apelam à intervenção do ministro Daniel Félix Neto para promover uma política de valorização dos quadros do próprio Ministério, com critérios de recrutamento, mobilidade e nomeação que considerem a formação, a experiência e o mérito profissional.

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