
António Venâncio denunciou esta quarta-feira, em Luanda, uma desigualdade de condições na corrida à presidência do MPLA, um dia depois de a subcomissão de candidaturas ter declarado nula a sua candidatura por alegada insuficiência de subscrições válidas.
Numa nota de imprensa divulgada na manhã desta quarta-feira, Venâncio afirmou que a candidatura de João Lourenço beneficiou de uma mobilização institucional superior à dos restantes concorrentes. Segundo Venâncio, essa mobilização permitiu à candidatura recolher mais de 11 mil assinaturas em poucos dias.
Venâncio questionou ainda a acumulação de funções de João Lourenço, que é Presidente da República, presidente do MPLA e coordenador da comissão preparatória do congresso em que se recandidata à liderança do partido. Na sua opinião, essa acumulação torna ténue a fronteira entre a actividade do partido e a da candidatura.
Na mesma nota, Venâncio defendeu que a credibilidade de uma eleição interna depende de todos os concorrentes terem as mesmas condições para contactar os militantes, apresentar propostas e recolher apoios. Defendeu também o pluralismo no MPLA e afirmou que os militantes preferem a democracia consagrada nos estatutos do partido ao despotismo.
O coordenador da subcomissão de candidaturas, Job Capapinha, anunciou na terça-feira, em Luanda, que foram validadas 459 das 2.918 subscrições contabilizadas no processo de Venâncio. O regulamento exigia um mínimo de 5.000 subscrições válidas.
Com a rejeição anterior da candidatura de Higino Carneiro, João Lourenço ficou como único candidato admitido à presidência do MPLA. O congresso está marcado para 9 e 10 de Dezembro, em Luanda.
Fontes ouvidas pela Margem do Erro consideram que o anúncio de uma disputa com vários candidatos foi um bluff político de João Lourenço.
*Jornalista