Rafael Marques processa presidente do Tribunal Supremo por desbloquear ilegalmente contas de general Higino Carneiro
Rafael Marques processa presidente do Tribunal Supremo por desbloquear ilegalmente contas de general Higino Carneiro
JL e HC

O juiz conselheiro presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo, terá ordenado o desbloqueio das contas do general Higino Carneiro, quando este estava a ser investigado por peculato e branqueamento de capitais, segundo noticiou a agência portuguesa Lusa.

Este é um dos factos apresentados pelo activista e jornalista Rafael Marques de Morais, numa denúncia criminal contra Joel Leonardo, hoje (quarta-feira, 19) entregue na Procuradoria-Geral da República, em Luanda.

O jornalista e director do ‘site’ Maka Angola referiu, na sua denúncia, que o processo contra o ex-governador provincial de Luanda por alegada prática de crimes de peculato, nepotismo, tráfico de influências, associação criminosa e branqueamento de capitais, foi arquivado “de forma até hoje não esclarecida publicamente” por aparente ordem expressa de Joel Leonardo.

Segundo a queixa apresentada à PGR, o juiz presidente do Tribunal Supremo terá orientado e pedido sigilo ao juiz presidente da câmara criminal daquela instância judicial, Daniel Modesto Geraldes, para que pusesse fim ao caso.

O juiz Daniel Geraldes teria encontrado nos factos constantes do processo indícios da prática de ilícitos criminais à data em que Higino Carneiro, ex-deputado e dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) foi governador de Luanda, entre 2016 e 2017.

Em 19 de Agosto de 2021, numa altura em que estaria já definido o “trio de juízes” que iria presidir ao julgamento, Joel Leonardo terá decidido sobre um requerimento apresentado pela defesa de Higino Carneiro, mandando desbloquear uma conta do arguido.

“Não se entende a que propósito surge um despacho deste teor (“descongelamento” das contas de Higino Carneiro) por alguém que não é o juiz natural do processo e não tem intervenção no mesmo, aparentando ser uma intervenção de favor”, escreveu Rafael Marques na denúncia, questionando a intervenção fora do âmbito dos poderes jurisdicionais “sem qualquer fundamento legal”.

O activista mencionou também na queixa o que diz ser uma “perseguição ao conselheiro Agostinho Santos” pelo facto de “este magistrado exigir transparência” no que toca à designação do novo presidente da Comissão Nacional Eleitoral.

Rafael Marques recordou a decisão disciplinar que culminou na demissão deste juiz conselheiro que, no entanto, ficou suspensa quando, em 27 de março de 2023, a Câmara do Cível, Administrativo, Fiscal e Aduaneiro do TS aceitou uma ação de impugnação interposta por Agostinho Santos.

Uma decisão à qual Joel Leonardo desobedeceu através de um despacho datado de 6 de abril de 2023, “impedindo Agostinhos Santos de exercer as suas funções, mantendo-o na qualidade de demitido”.

Rafael Marques apontou ainda várias denúncias públicas que dão conta de um alegado esquema de distribuição e venda de imóveis confiscados pela justiça angolana no âmbito do combate à corrupção, o qual será alegadamente liderado por Joel Leonardo.

Um conjunto de factos que, sublinhou, corresponde à prática de crimes por magistrado no exercício de funções, “o que resulta em gravidade acrescida”, estando em causa os crimes de denegação de justiça, prevaricação, corrupção massiva de magistrado e abuso de poder, acrescentou.

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