
O professor continua a ser visto e tratado como um mendigo, um coitadinho. É elogiado, mas não é valorizado. Todos passam pelas suas mãos, mas poucos reconhecem o seu verdadeiro valor. Dizem: Foi meu professor. Recordam-no com respeito e gratidão, mas, quando chega a hora de o valorizar, quase todos se esquecem dele.
Os professores ganham mal. Até no Congo-Kinshasa encontramos professores do Ensino Primário com remunerações superiores às de muitos professores angolanos.
Em Cabo Verde, um professor sem licenciatura tem como referência um salário-base de 55 mil escudos cabo-verdianos, cerca de 570 dólares americanos.
Em Angola, há professores que recebem valores muito inferiores a isso. Alguns não chegam sequer aos 200 dólares americanos. Isso é uma autêntica vergonha. Mandamos muita boca: gabamo-nos de que Angola tem muito petróleo e diamantes. Mas de que vale toda essa riqueza se quem ensina continua a viver com tão pouco?
Muitos professores vivem endividados, apesar de trabalharem duro. Faça sol ou caia chuva, estão na paragem de táxi para ir à escola formar os futuros presidentes da República, magistrados, generais, ministros, deputados, presidentes de conselhos de administração de empresas, técnicos da AGT, engenheiros da Sonangol, entre tantos outros profissionais.
Apesar dessa nobre missão, o professor não é tido nem achado. Um país assim não avança. Mesmo que se combata a corrupção e se prendam corruptos indesejáveis, se não se investir na educação e no bem-estar de todos, continuaremos a alimentar as mesmas desigualdades.
Quando os professores exigem melhores salários e condições de trabalho, dizem que não há verbas. É quase sempre assim: faltam verbas para causas nobres, mas não faltam para o luxo no meio da miséria. É isso que não se percebe.
Todos os professores deveriam reflectir seriamente e bater o pé no chão para que se resolva, de uma vez por todas, a questão dos baixos salários e da falta de condições nas escolas.
Não se constrói um país forte com um sistema de ensino fraco. Fraquinho.
E mudar essa realidade passa, necessariamente, por investir na educação. Quando se investe na educação, o país sai a ganhar, porque passa a valorizar o seu próprio capital humano, em vez de depender excessivamente de assessoria estrangeira.
Viva a greve! Ela é uma arma legal. É um instrumento da democracia.