Governadores de bancos africanos apontam 2034 como meta para criação de moeda única continental
Governadores de bancos africanos apontam 2034 como meta para criação de moeda única continental
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Os governadores de bancos centrais africanos que participaram na VI edição da Africa Financial Summit (AFIS 2026), em Luanda, defenderam a criação de uma moeda única continental até 2034, como instrumento para acelerar a integração económica e reforçar o desenvolvimento do continente.

A convergência em torno dessa meta foi anunciada por Aliou Maiga, director do Grupo de Instituições Financeiras Africanas, durante o encerramento da cimeira, que decorreu nos dias 3 e 4 de Novembro, na capital angolana.

A discussão esteve centrada no tema “Um Continente, Uma Moeda, Um Banco Central: Criar as Premissas Regulamentares no Período 2028-2034“.

O encontro reuniu governadores de bancos centrais, responsáveis políticos e representantes do sector financeiro para debater as condições necessárias à integração monetária africana.

Segundo a organização, a edição de 2026 contou com mais de 1.250 dirigentes e responsáveis do sector financeiro, incluindo 18 governadores de bancos centrais e oito ministros das Finanças.

A criação de uma moeda única está associada ao projecto da União Africana de estabelecer um Banco Central Africano, com a responsabilidade de conduzir uma política monetária comum, gerir a futura moeda continental e promover a estabilidade cambial entre os Estados participantes.

De acordo com o calendário previsto na Agenda 2063 da União Africana, o período entre 2028 e 2034 está definido como horizonte para a criação do Banco Central Africano.

A preparação deverá passar pela operacionalização do Instituto Monetário Africano, que servirá de etapa preparatória para a instituição continental.

Contudo, a concretização do projecto depende de um processo de convergência económica e financeira entre os países, incluindo a harmonização das políticas monetárias, dos sistemas de pagamentos e das regras de supervisão bancária.

Entre os desafios estão também a aproximação dos níveis de inflação, dos défices orçamentais e da dívida pública.

Durante o painel de encerramento, o governador do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), Jean-Claude Kassi Brou, destacou a experiência da União Monetária da África Ocidental, que reúne oito países em torno de uma moeda comum e de um banco central.

O responsável defendeu a importância de uma instituição monetária independente, de regras harmonizadas e de critérios comuns de convergência macroeconómica.

Na mesma ocasião, o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, abordou a autonomia institucional do banco central angolano na condução da política monetária e na resposta a choques macroeconómicos.

Entre os instrumentos referidos estão a gestão das taxas de juro, a administração das reservas internacionais e os mecanismos de financiamento à economia real.

A AFIS 2026 decorreu sob o lema “Making Capital Count: Impulsionar o crescimento através do financiamento africano” e reuniu participantes de vários países para discutir o financiamento do desenvolvimento, a integração dos mercados financeiros, a inovação tecnológica e a harmonização regulatória no continente.

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