
A festa da independência nacional tem sempre um significado especial. Foi a partir do dia 11 de Novembro de 1975 que passámos a ser um povo soberano. Só mesmo esse facto é motivo para a satisfação de todos os angolanos.
Por se tratar de um data festiva, o ambiente em torno dela deveria ser também de festa e de alegria. Não foi isto que se viu no acto central em Malanje. O ódio no discurso oficial foi notório. Tão notório que não deu para disfarçar.
Até pareceu que se tratava de um discurso recuperado dos arquivos do programa de rádio Angola-Combatente dos anos 80, no tempo do conflito armado.
Insinuar que apenas o MPLA lutou contra o colonialismo, enquanto a FNLA e a UNITA teriam servido os interesses dos colonizadores e pretendido impedir a proclamação da independência, é uma grave distorção histórica.
Felizmente, essa narrativa falsa tem poucos adeptos e começa a encontrar resistência nos testemunhos de alguns dos protagonistas da época, incluindo nacionalistas do MPLA, que têm vindo a revelar factos que contradizem a versão oficial.
A insistência em se querer desmentir a verdade e manter a versão distorcida dos factos históricos apenas atrasa a construção de uma história verdadeira de Angola.
É revoltante ver pessoas com responsabilidades governativas, instruídas e bem informadas, manipularem os acontecimentos de forma descarada.
Afirmar que havia alguns movimentos de libertação que se aliaram a forças estrangeiras para dificultar a independência de Angola é uma afirmação absurda e contraditória. Holden Roberto, Agostinho Neto e Jonas Savimbi, nenhum deles lutou contra os portugueses para impedir a nossa independência.
Este tipo de discurso não faz sentido, não tem qualquer fundamento e não promove a reconciliação e a união entre os angolanos. Pelo contrário, perpetua as divisões e impede que possamos escrever, juntos, a verdadeira história do nosso país.
Dos políticos espera-se que sejam exemplos de integridade e compromisso com a verdade e, sobretudo, que respeitem a história e honrem o sacrifício de todos os angolanos, independentemente das suas visões políticas.
Para finalizar, deixo um apelo para que todos abracem a verdade, pois só através dela alcançaremos uma reconciliação genuína.
Viva o 11 de Novembro!
Viva a reconciliação nacional!