A subida salarial, a greve geral, a cesta básica e os Movangola na diáspora – Hilária Vianeke
A subida salarial, a greve geral, a cesta básica e os Movangola na diáspora – Hilária Vianeke
grevve

Angola sob a liderança do presidente João Lourenço – que não ganhou as eleições e insiste em governar – está mergulhada numa grande crise económica sem precedentes. Fica completamente comprovado que o governo do MPLA- PT quer acabar com a paciência do pacato povo angolano.

O resultado de governar desconhecendo as normas básicas do jogo democrático, é não saber dar respostas às preocupações básicas da sociedade, tapando todas as mobilizações legítimas com intimidações e ameaças.

As reivindicações dos representantes dos trabalhadores angolanos (sindicatos) foram resolvidas ao estilo do MPLA, oferecendo uma subida salarial irrisória, insuficiente e que não responde às necessidades básicas das famílias angolanas.

Por outro lado, esta atitude do governo diante das reivindicações dos órgãos sindicais, incumpre com o plasmado na Lei Geral do Trabalho angolana, denominada Lei n.º 12/23, de 27 de Dezembro (NLGT), aprovada em dezembro de 2023 e que entrou em vigor em Março deste ano 2024.

Soube-se que em muitas empresas, tanto públicas como privadas, não se permitiu aos trabalhadores a preservação do direito à greve, tudo ao estilo autocrático do partido-Estado.

Há bastantes anos pede-se um salário-mínimo no valor equivalente em dólares a quinhentos USD. O nosso país tem capacidade económica para poder garantir estes mínimos à camada trabalhadora, assim como aos reformados.

Os sindicatos pedem dignidade, justiça salarial para poder responder aos custos da vida diária das famílias, oferecer capacidade aos trabalhadores e trabalhadoras, para que possam responder com dignidade aos pagamentos dos alugueres, das propinas escolares, dos gastos em assistência médica e medicamentosa, para gerar capacidade de poupança… entre outras.

Subir o salário a trinta mil kwanzas é rir-se do angolano, é gozar com a paciência do pacato cidadão, é sinceramente caso para dizer-se basta! E o mais caricato de toda esta situação, é que está irrisória subida salarial, se assim a podemos chamar, fez-se acompanhar da subida dos preços dos combustíveis, o que significa a subida dos preços dos táxis, da eletricidade, dos alimentos…em suma, significa asfixia total e definitiva das famílias angolanas.

E como se não bastasse, está-se a tentar convencer aos mwangolés da diáspora através do movimento partidista Movangola, a regressarem para o país. A que país? Ao país de onde todos querem sair porque já não aguentam mais?

A esta Angola onde se insiste em que a função pública sobreviva graças às mixas e aos subornos por não receber salários justos? Onde as famílias estão a deixar de sonhar e ter esperanças em um futuro melhor para os seus filhos? A esta Angola onde é impossível falar do crescimento do sector turismo por carecer das infraestruturas básicas de transporte público, saúde, educação, serviços sociais, segurança pública…?

Pedimos amor ao povo, seriedade ao formular as políticas públicas. Pensem na tia Maria a Zungueira, no Minguito o cobrador, no paizinho o engraxador, na Zefa a viúva com 7 filhos, e no Genilson que trabalha de manhã e estuda de noite, sonhando em construir um futuro nesta terra que o viu nascer.

Não sejam cínicos, frios nem egoístas. Lembrem-se que as lutas dos activistas, dos movimentos sociais, dos sindicatos, também são por vocês como angolanos. Libertem-nos, deixem-nos viver com dignidade, respondam às nossas queixas com todo o respeito que merecemos.

Viva Angola! Viva a dignidade dos trabalhadores angolanos!

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