
O general José Ferreira Tavares, apontado como próximo do Presidente da República, João Lourenço, é acusado de interferir no processo de eleição dos novos primeiros secretários municipais do MPLA a nível de Luanda, soube o Imparcial Press.
As alegações, que circulam em meios políticos e partidários, dão conta de um conjunto de orientações que estariam a ser transmitidas a estruturas municipais do partido, com vista a influenciar o desfecho das Conferências de Balanço e Renovação de Mandatos, actualmente em curso.
De acordo com essas informações, municípios como Belas, Kilamba Kiaxi, Sambizanga, Mulenvos, Ingombota e Samba já terão registado movimentações relacionadas com a recolha de assinaturas para candidaturas, num ambiente descrito como de forte condicionamento interno.
Entre as práticas denunciadas está a alegada substituição de segundos secretários municipais, com o objectivo de assegurar que estes assumam interinamente funções de primeiros secretários em momentos-chave do processo, garantindo alinhamento com determinadas correntes internas.
Fontes do Imparcial Press apontam ainda para a realização de encontros com equipas associadas ao Comité Central, incluindo uma reunião recente no município do Kilamba Kiaxi, onde terão sido transmitidas directrizes relacionadas com a condução do processo orgânico.
As acusações levantam dúvidas sobre a observância dos estatutos e regulamentos internos do MPLA, sobretudo pelo facto de o general José Tavares não integrar, formalmente, os órgãos de direcção do partido.
Analistas consideram que, a confirmarem-se, tais práticas poderão afectar a transparência e a credibilidade do processo interno, numa fase decisiva para a reorganização das estruturas partidárias com vista ao próximo congresso.