
A TAAG, companhia aérea de bandeira de Angola, continua no centro de alegações de irregularidades na contratação de serviços e fragilidades nos mecanismos de controlo interno, envolvendo gestores e prestadores externos, segundo informações recolhidas por fontes ligadas à empresa.
No centro das novas alegações está novamente a administradora das Infra-estruturas, Cadeia de Suprimentos e Serviços, Maria Manuela da Costa Pardal, e uma cidadã portuguesa Filipa Neves, que actua como consultora externa sem contrato formal conhecido, nem vínculo laboral público com a companhia.
De acordo com as informações, a entrada de Filipa Neves na TAAG remonta a 2023, com o apoio da então administradora comercial, Maria Lisete Mota Pinto MacNally, e com o conhecimento da administração financeira.
A consultoria teria sido inicialmente apresentada como um apoio pontual ao projecto de ‘design’ da nova sede da companhia, no edifício One Metropolis, em Talatona, com duração estimada de um a dois meses e um custo de quatro mil euros, alegadamente formalizado apenas por troca de correio electrónico.
Contudo, o que seria um apoio temporário terá evoluído para uma prestação continuada de serviços, com facturação efectuada através da empresa portuguesa “Mundos Perdidos”, associada à consultora.
A mesma empresa passou a intermediar fornecimentos e obras em diversas infra-estruturas da TAAG, incluindo instalações nos aeroportos 4 de Fevereiro e Dr. António Agostinho Neto, unidades clínicas, espaços comerciais e centros de instrução, em contratos cujos valores são descritos por fontes como superiores aos preços praticados no mercado.
As alegações referem ainda a ausência de fiscalização externa consistente e a contratação de bens e serviços que poderiam, em tese, ser adquiridos directamente pela companhia, levantando dúvidas sobre a racionalidade económica e a transparência dos processos.
Outro nome citado é o de Vítor Gonçalves, também introduzido na empresa no mesmo período e que, segundo as informações disponíveis, terá mantido uma relação contratual com condições financeiras consideradas vantajosas, mesmo após o termo do seu contrato inicial de prestação de serviços.
Fontes indicam que poderá vir a assumir funções de direcção, numa área sensível ligada à gestão de serviços gerais e logística.
As suspeitas estendem-se ainda à relação da TAAG com a empresa ONE KEY, responsável por obras na nova sede da companhia. Apesar da existência de outros concorrentes, a empresa terá sido seleccionada por ajuste directo, com fundamento em urgência, num contrato avaliado em cerca de 700 milhões de kwanzas, posteriormente acrescido em mais de 200 milhões.
A obra registou atrasos e falhas técnicas que, segundo as mesmas fontes, obrigaram a correcções posteriores pela equipa interna da TAAG.
O conjunto destas situações alimenta preocupações sobre práticas de gestão paralelas, eventual favorecimento e falta de observância dos procedimentos legais e administrativos aplicáveis a uma empresa pública estratégica.
Especialistas em governação empresarial defendem que casos desta natureza justificam auditorias independentes, apuramento de responsabilidades e, se necessário, intervenção dos órgãos de tutela e fiscalização, de modo a salvaguardar a transparência, a legalidade e a credibilidade da companhia aérea nacional.