Angola, um país exportador de revoluções? – Ilídio Manuel
Angola, um país exportador de revoluções? – Ilídio Manuel
JL chapo

Os serviços de inteligência de Angola estão a ser acusados de interferência na crise pós-eleitoral moçambicana, no sentido de favorecer o partido FRELIMO, um “aliado natural” do MPLA.

Pairam informações de que a secreta angolana terá congeminado um plano para assassinar o líder da oposição Venâncio Mondlane, que se encontra actualmente exilado algures no estrangeiro.

Consta também que Angola terá enviado contingentes armados para Moçambique a fim de reprimir as vagas de manifestações pró-oposição, tendo como fim último assegurar a manutenção no poder por parte do partido da situação.

Ao abrigo da lei angolana, o envio de tropas angolanas ao estrangeiro, carece de uma autorização do Parlamento, pelo que se sabe não feito nenhum pedido nesse sentido.

Até prova em contrário, as acusações feitas contra Angola não passam de meras especulações que não correspondem à verdade.

Verdade ou mentira, o facto é que nas redes sociais, a conta de Facebook de JLo foi profusamente atacada por internautas, sobretudo moçambicanos que se exprimiram contra uma eventual interferência nos assuntos internos daquele país do Índico.

No entanto, há alguns factores que têm “ajudado” a alimentar a onda de especulações e que não podem ser negligenciados no contexto da crise pós-eleitoral moçambicana, a começar pelas relações de proximidade e cumplicidade entre os dois partidos que governam Angola e Moçambique, pela forma cínica como Luanda reagiu ao assassinato de duas figuras da oposição moçambicana, abatidas a tiro, supostamente a mando da FRELIMO.

Não foi apenas o silêncio ensurdecedor das autoridades angolanas diante dos dois bárbaros crimes que irritou os moçambicanos, como também o reconhecimento das eleições naquele país num clima de fortes indícios de fraudes massivas.

Infelizmente, Angola goza da fama de um país “exportador de revoluções”, cujas tropas já actuaram em vários cenários da guerra em África, sobretudo em defesa de regimes à beira do colapso como aconteceu no Congo Brazzaville, na Cotê d’Ivoire, na RDC e no Zimbabwe. No primeiro país foi em defesa de um aliado para derrubar um poder legitimado pelas urnas.

Em África, há países que optaram por manter um distanciamento prudente em relação à Angola por temerem que o nosso país exporte a nossa revolução para os seus territórios.

É caso para dizer que da má fama de país “exportador de revoluções” Angola não se livra, por mais cosméticos que faça recurso para branquear a sua imagem.

*Jornalista

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