As miúdas dos serviços secretos angolanos – Fernando Vumby
As miúdas dos serviços secretos angolanos - Fernando Vumby
miudas sinse

Essas são consideradas “anjos disfarçados”, chegando, muitas vezes, a ser mais perigosas do que qualquer agente masculino bem treinado. Porque, quando está em causa obter informações — mesmo que, por vezes, pouco úteis — não hesitam em usar a sedução, envolvendo-se sexualmente com os alvos durante uma noitada entre quatro paredes.

Importa lembrar que a maioria das vítimas deste regime que morreram em hospitais no estrangeiro viu o seu estado de saúde agravar-se sempre depois de receber flores ou visitas de supostas cidadãs que afirmavam residir nesses países.

Elas são espiãs por natureza, como demonstram exemplos associados ao Mossad, o serviço secreto israelita, país que, segundo várias referências, terá colaborado na formação de agentes secretos angolanos, especialmente mulheres.

Além disso, importa não ignorar que as mulheres conseguem interpretar papéis com maior eficácia do que muitos homens quando se trata de suprimir o ego para atingir um objectivo previamente definido.

Conheço algumas cheias de fintas e não tardarei em revelar os seus nomes para que os meus compatriotas as mantenham sob vigilância permanente, porque, além de belas e charmosas, são das mais perigosas que existem neste momento.

Elas parecem também possuir uma capacidade superior de interpretação das situações, quase como se antecipassem acontecimentos.

São matreiras, e não é por acaso que o regime angolano tem hoje ao seu serviço um número tão elevado de mulheres nos serviços secretos, quase equiparado ao de homens, segundo algumas revelações.

Escondem entre as unhas, a língua e a vagina aquilo que raramente o homem mais inteligente e forte consegue detectar.

E, ao contrário do que muitos imaginam, não precisam de força física para identificar o potencial perigo de uma pessoa ou situação. Utilizam sempre a inteligência como principal arma de sobrevivência.

Não brincavam — nem brincam — em serviço. Quando precisam colocar os planos em prática, aproximam-se, cultivam diálogo e, quando necessário, simulam amor e sexo com as possíveis vítimas, oferecendo-lhes uma falsa confiança que muitas vezes se torna fatal.

Pesquisas feitas por pessoas interessadas nesta matéria indicam que muitas mulheres ligadas à secreta angolana que se envolveram sexualmente com homens no cumprimento de missões acabaram, alegadamente, por eliminar os seus alvos para evitar rastos ou possíveis denúncias.

E, para que não restem dúvidas, falo de mulheres que conheci pessoalmente e com quem vivi — claro, não com todas — determinadas situações e momentos durante o meu tempo na Contra-Inteligência Militar. Mulheres que, ao controlarem as movimentações de suspeitos, provaram que a única diferença entre elas e nós era apenas o sexo.

Essas mulheres do meu tempo nem sequer eram tão sensuais, femininas e atraentes como as recrutadas actualmente e posteriormente infiltradas nos mais variados sectores da sociedade angolana: ministérios, embaixadas, JMPLA, OMA, Sonangol, partidos da oposição e outros espaços, sempre mascaradas sob diferentes disfarces.

Embora com métodos pouco clássicos, já eram infiltradas — tal como hoje — nos círculos intelectuais, fingindo-se estudantes universitárias no meio de professores, muitas vezes apenas para recolher opiniões políticas que elas próprias lançavam como isca.

Nos hotéis de grande afluxo de estrangeiros também era notada a sua presença, quase sempre disfarçadas de recepcionistas, camareiras ou funcionárias de balcão. Tudo muito bem treinado e funcionando diariamente como se nada existisse por detrás daquelas mulheres.

Serviços secretos

Os serviços secretos são estrategicamente relevantes porque influenciam praticamente tudo no país e relacionam-se directamente com os seus alvos.

Sabotam acções de partidos da oposição, organizações juvenis revolucionárias e todo o tipo de iniciativas que procuram reivindicar direitos consagrados na própria Constituição.

Enganam-se aqueles que pensam que o SINSE e outros organismos semelhantes não utilizam tácticas subtis, oferecendo o lume com uma mão enquanto, com a outra, deixam cair lentamente veneno numa bebida sem que a vítima se aperceba.

É importante considerar que o regime possui também um grande número de estrangeiros bem pagos ao serviço da secreta.

Muitos deles são verdadeiros artistas da espionagem — quase mágicos — difíceis de identificar para quem nunca frequentou cursos de contra-inteligência.

Esses são os que considero verdadeiras “trutas”, devido aos seus truques, movimentações discretas e formas de distrair os alvos.

Manos, cuidado: eles também estão infiltrados em vários sectores da vida social angolana, embora geralmente sejam utilizados apenas em missões especiais e circunstâncias específicas.

As mulheres ligadas aos serviços secretos são hoje conhecidas como frias, astutas, rápidas e portadoras de métodos altamente modernos. JES terá investido fortemente em novas tecnologias para os serviços secretos.

Hoje fala-se até do uso de satélites, pulseiras com mini-câmaras capazes de filmar no escuro e a grandes distâncias, tornando-as peças fundamentais em operações de infiltração.

Segundo algumas observações, quando perseguem alguém e o alvo está num restaurante ou bar, actuam geralmente aos pares, simulando ser um casal. Entram, perguntam educadamente se os lugares estão livres e fazem questão de se sentar perto do alvo.

Parece ficção cinematográfica, mas, segundo relatos, têm existido missões conduzidas exclusivamente por jovens atraentes infiltradas dentro e fora do país, sobretudo em comunidades angolanas na Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos, Brasil e Portugal, onde alegadamente se coordenam operações externas.

Como disse, não precisamos viver com medo, mas sim com vigilância redobrada. Ao menor descuido, nunca se sabe o que pode acontecer nem qual missão estará em curso.

Conheço o caso de um político angolano em tratamento médico em Portugal que encontrou, cinco vezes no mesmo dia e em locais diferentes, a mesma jovem que viajara ao seu lado no voo Luanda-Lisboa.

Não acredito que tenha sido mera coincidência. A jovem parecia claramente cumprir uma missão, embora só ela saiba qual.

Escrevo muito sobre estas ocorrências, mas sinceramente não me fascinam histórias sobre agentes secretos angolanos. Recordo-me sempre do lado criminoso e assassino que, segundo várias denúncias, caracteriza este aparelho de espionagem ao serviço de José Eduardo dos Santos.

Se Angola se diz um Estado democrático e de direito, mesmo que muitos discordem dessa definição, não devemos esquecer que existem leis e regras que deveriam ser respeitadas, incluindo o respeito pela vida humana.

Não seria necessário existir uma espécie de esquadrão da morte constituído por homens e mulheres, angolanos e estrangeiros.

Ao tentarem controlar tudo e todos — até a própria respiração dos angolanos — acabam por ignorar aquilo que nos faz irmãos da mesma terra, apesar das diferenças políticas, convertendo-se em seres vingativos e desumanizados.

Substâncias venenosas como arma da secreta?

Todo o cuidado é pouco quando estiverem a ser servidos por uma jovem de unhas compridas, porque, entre as unhas, pode esconder-se algo difícil de detectar e que, num gesto subtil, pode cair no copo sem que ninguém perceba.

E depois… já era.

Redobrem a vossa vigilância e segurança

Antes de terminar este texto, quero deixar alguns conselhos aos líderes da oposição política e aos críticos do regime.

Cuidado ao aproximarem demasiado os lábios dos microfones quando forem entrevistados pela TPA em momentos de tensão política.

Algumas medidas de precaução:

1 – Quando receberem alguém em casa que não inspire confiança, tenham cuidado com objectos pessoais e materiais de higiene, como escovas de dentes, pasta dentífrica, elixires e medicamentos.

2 – Na cozinha, mantenham açúcar, óleo, leite, bebidas e outros produtos sempre sob controlo e longe do alcance de pessoas suspeitas, mesmo quando os recipientes estiverem fechados.

3 – Antes de entrarem numa viatura privada ou de serviço, façam uma inspecção geral, porque pode existir algum dispositivo de rastreamento ou sabotagem.

4 – Instruam filhos, familiares e amigos para não receberem objectos ou encomendas de estranhos, mesmo que estes afirmem agir em vosso nome.

5 – Em prédios, condomínios ou residências, nunca depositem confiança excessiva em porteiros ou funcionários. Nunca se sabe quem poderá estar ao serviço da secreta.

6 – Em bares e restaurantes, evitem permanecer de costas para a rua ou para desconhecidos. Procurem mesas junto à parede.

7 – Evitem o excesso de álcool e procurem não chamar demasiada atenção.

8 – Evitem tornar-se frequentadores habituais de certos espaços, sobretudo em ambientes ligados ao regime.

9 – Evitem marcar encontros com pessoas conhecidas apenas pelas redes sociais, porque podem tratar-se de armadilhas.

10 – Recordem-se sempre da música do MCK que pergunta: “A kota é mesmo fã ou espiã?”

    Equipamentos alegadamente usados pelos serviços secretos

    Entre os equipamentos alegadamente utilizados pelos serviços secretos angolanos destacam-se:

    • Relógios com gravadores e sistemas de escuta;
    • Cintos com mini-câmaras;
    • Detectores de movimento sem fios;
    • Isqueiros com câmaras HD;
    • Comandos de viaturas com GPS e câmaras;
    • Relógios de mesa com gravação de áudio;
    • Carteiras femininas com câmaras ocultas;
    • Óculos escuros com sistemas de gravação;
    • Dispositivos de escuta telefónica;
    • Equipamentos de escuta ambiental;
    • Canetas com áudio e vídeo;
    • Microdispositivos sem fios para operações no terreno.

    Se somarmos os valores gastos na aquisição destes equipamentos e serviços associados, talvez fosse possível construir dezenas de hospitais, escolas, lares e infantários em Angola.

    *Ex-agente dos serviços secretos de Angola

    Compartilhar:

    Facebook
    WhatsApp
    LinkedIn
    Twitter
    error: Conteúdo protegido