BAD financia com 15 milhões de dólares primeira produção integral de vacinas contra a cólera em África
BAD financia com 15 milhões de dólares primeira produção integral de vacinas contra a cólera em África
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O Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) aprovou um financiamento de até 15 milhões de dólares para a empresa biofarmacêutica sul-africana Biovac, destinado à construção de uma nova unidade de fabrico de vacinas na Cidade do Cabo, num projecto que pretende reforçar a autonomia sanitária do continente e reduzir a dependência de importações.

Segundo um comunicado enviado hoje à redacção do Imparcial Press, o investimento permitirá aumentar a capacidade anual de produção da Biovac para 500 milhões de doses, tornando a empresa no primeiro fabricante africano a produzir integralmente vacinas orais contra a cólera e no primeiro produtor sul-africano de vacinas inactivadas contra a poliomielite.

O projecto integra a estratégia continental para desenvolver uma indústria farmacêutica africana capaz de responder às necessidades de saúde pública. Actualmente, mais de 99% das vacinas utilizadas em África são importadas, apesar de o continente concentrar uma elevada incidência de doenças preveníveis por vacinação.

A União Africana estabeleceu como meta que 60% das vacinas consumidas no continente sejam produzidas localmente até 2040, reduzindo a vulnerabilidade demonstrada durante crises sanitárias como a pandemia da Covid-19.

O vice-presidente do BAD para o Sector Privado, Infra-estruturas e Industrialização, Solomon Quaynor, afirmou que o financiamento vai além do reforço da capacidade industrial da Biovac.

“Este investimento representa um passo decisivo para a soberania sanitária de África, fortalecendo as cadeias de valor regionais e permitindo que o continente responda de forma mais eficaz a futuras emergências sanitárias”, afirmou.

Para o director executivo da Biovac, Morena Makhoana, o projecto marca uma mudança estrutural no papel de África no sector farmacêutico.

“Queremos mudar a narrativa de um continente que importa vacinas para um continente que as produz e exporta. É assim que se constrói a soberania sanitária”, declarou.

Além do impacto na saúde pública, a expansão deverá criar cerca de 340 novos postos de trabalho permanentes, dos quais 43% deverão ser ocupados por mulheres e 30% por jovens.

A empresa prevê igualmente reforçar programas de formação em fabrico de vacinas, controlo de qualidade e ciência regulatória, em parceria com universidades e centros de investigação.

As novas instalações deverão estar concluídas até 2028. Numa primeira fase produzirão vacinas orais contra a cólera e, posteriormente, vacinas contra a poliomielite, pneumonia e meningite.

O financiamento do BAD integra um consórcio internacional liderado pela Corporação Financeira Internacional (IFC), contando ainda com apoio do Banco Europeu de Investimento, da União Europeia, da Fundação Gates e de outros parceiros internacionais ligados à saúde.

Criada em 2003, numa parceria entre o Governo sul-africano e o sector privado, a Biovac é actualmente o principal fornecedor de vacinas da África do Sul. A empresa já distribuiu mais de 450 milhões de doses de vacinas em países da África Austral, incluindo imunizantes contra a Covid-19.

O BAD considera que o projecto constitui um passo importante para o desenvolvimento da indústria farmacêutica africana, num contexto em que o continente procura reduzir a dependência externa no acesso a medicamentos e vacinas essenciais.

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