
A morte de uma agente de terceira classe do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, ocorrida esta terça-feira no município da Caála, província do Huambo, durante um simulacro operacional, continua a gerar forte indignação e críticas, sobretudo quanto ao planeamento, às condições de segurança e à inexistência de meios adequados de socorro no local.
A vítima, identificada por Cristina Helena Lino dos Santos, de 38 anos, seguia numa viatura pesada de combate a incêndios que capotou por volta das 09h40, na rua Hoji-ya-Henda, quando se deslocava para participar numa acção de simulação com estudantes e professores de uma instituição de ensino.
Segundo o comunicado da Delegação Provincial do Ministério do Interior (MININT) no Huambo, em posse do Imparcial Press, o acidente ocorreu após o condutor da viatura, devidamente habilitado, ter perdido o controlo do veículo durante uma manobra de mudança de direcção, provocando o deslocamento da carga e o consequente capotamento. Três outros efectivos ficaram feridos e foram evacuados para o Hospital Regional Militar.
No entanto, fontes no local questionam duramente a forma como o exercício foi concebido e executado. Profissionais do sector sublinham que aulas ou simulacros operacionais devem ser realizados em aeródromos ou espaços próprios, devidamente preparados, com equipamentos adequados e apoio de entidades especializadas, e não no interior de localidades, em vias públicas abertas à circulação.
Testemunhas no local revelaram ao Imparcial Press que a vítima ter sido inicialmente socorrida por um mototaxista “kupapata”, numa cena descrita como “dolorosa” por da ausência de meios de emergência imediatos no local do exercício, como mostra o vídeo que circula nas redes sociais.
Para vários observadores, o episódio acabou por demonstrar que, paradoxalmente, foram cidadãos comuns os primeiros a prestar auxílio, expondo fragilidades graves na capacidade de resposta da própria estrutura de socorro.
“Não há simulacros sem segurança, nem treino sem meios. Não se pode brincar com vidas humanas”, afirmou uma fonte ligada ao sector, defendendo que o caso deve ser tratado com exigência de responsabilidades e punição dos infractores, caso se confirmem negligências no planeamento e na execução da actividade.
As críticas incidem igualmente sobre o facto de o exercício ter decorrido dentro de uma área urbana, contrariando práticas internacionais e normas básicas de segurança operacional, que recomendam a realização deste tipo de actividades em zonas controladas e afastadas de centros habitacionais.
Apesar de o MININT ter anunciado a abertura de um processo de averiguações para apurar as causas do acidente, sectores internos defendem que nenhuma investigação “devolverá a vida da agente que tombou no exercício das suas funções”, insistindo na necessidade de mudanças estruturais para evitar que tragédias semelhantes se repitam.
A Delegação Provincial do Ministério do Interior apresentou condolências à família enlutada e aos efectivos do Comando Provincial de Protecção Civil e Bombeiros.
Ainda assim, cresce a pressão para que o luto seja acompanhado de uma revisão profunda dos procedimentos de treino, da logística e das condições de segurança das operações.
Este é o primeiro acidente do género registado nos últimos anos no município da Caála, mas o caso já é apontado como um alerta sério sobre os riscos de improvisação e a banalização da segurança em actividades operacionais.