
O Centro de Ciência de Luanda (CCL), inaugurado em Dezembro de 2023 pelo Presidente da República, João Lourenço, esta a ser alvo de críticas devido à alegada incapacidade de cumprir plenamente a missão para a qual foi concebido: promover a divulgação científica, tecnológica e a literacia do conhecimento junto da população angolana.
Concebido para ser uma das mais importantes infra-estruturas de ciência e inovação do país, o CCL é apontado por diversos observadores como um projecto que ainda não conseguiu afirmar-se como referência nacional e regional na promoção da ciência, apesar do elevado investimento realizado pelo Estado.
Segundo informações recolhidas pelo Imparcial Press, a instituição, dirigida por Diogo Francisco Morais João, registou alguma actividade durante os primeiros meses após a inauguração, sobretudo ao longo de 2024, período em que recebeu grupos de estudantes em iniciativas educativas pontuais.
No entanto, fontes ligadas ao sector consideram que a dinâmica inicial não teve continuidade, resultando numa redução significativa da afluência ao espaço.
Instalado nas antigas instalações da Fábrica de Sabão, na Baixa de Luanda, junto ao Largo do Baleizão, o Centro de Ciência foi projectado para funcionar como um espaço interactivo de aprendizagem, investigação, inovação e entretenimento científico, destinado a atrair estudantes, investigadores, turistas e famílias.
Contudo, críticos da actual gestão defendem que a instituição tem demonstrado dificuldades em criar programas permanentes, eventos regulares e iniciativas capazes de despertar o interesse do público e rentabilizar o potencial da infra-estrutura.
Entre as preocupações apontadas estão alegadas falhas técnicas em alguns equipamentos, a reduzida programação científica e cultural, bem como a inexistência de estratégias eficazes para aproximar as escolas e universidades do projecto.
Observadores do sector da educação e ciência consideram que o espaço reúne condições para desempenhar um papel relevante na formação das novas gerações, mas entendem que é necessária uma gestão mais dinâmica e criativa para transformar o CCL num verdadeiro centro de referência.
O complexo dispõe de diversas valências, incluindo salas de exposição, espaços interactivos, laboratórios e uma sala multiuso concebida para acolher actividades educativas, conferências, feiras científicas e eventos de divulgação do conhecimento.
Especialistas defendem que, com uma programação mais diversificada e uma maior articulação com instituições de ensino, empresas tecnológicas e centros de investigação, o Centro de Ciência de Luanda poderá desempenhar um papel determinante na promoção da inovação e do conhecimento científico em Angola.
Enquanto isso, persistem questionamentos sobre a capacidade da actual direcção em revitalizar o projecto e assegurar que o investimento realizado corresponda às expectativas criadas aquando da sua inauguração.