
O bispo da Igreja Tocoísta, Afonso Nunes, anunciou neste domingo que a instituição vai solicitar à Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) a exumação das ossadas de fiéis mortos durante os acontecimentos de 27 de Maio.
A intenção foi manifestada à imprensa no final do culto de encerramento das actividades em homenagem à dona Rosa Toco, com a homilia “A fé é a esperança no momento da adversidade”, na Catedral Tocoísta.
Segundo o líder religioso, existem indícios da presença de valas comuns com restos mortais de membros da Igreja Tocoísta, vítimas de perseguições ocorridas no referido período.
“Vamos escrever à CIVICOP, há centenas de crentes que tenham perdido a vida” para que todos tenham a mesma dignidade”, disse.
Afonso Nunes explicou que a igreja está a trabalhar na identificação e mapeamento das áreas onde se encontram essas valas, com o objectivo de facilitar o trabalho técnico da CIVICOP e garantir que as vítimas tenham um enterro condigno.
Explicou que a iniciativa visa contribuir para o processo de reconciliação nacional, sendo que a dignificação das vítimas simboliza uma etapa primordial para a cura das feridas do passado.
Na ocasião, o responsável religioso realçou a abertura actual para abordagem de questões históricas sensíveis, que durante muitos anos, tais acontecimentos não podiam ser discutidos publicamente.
Aproveitou igualmente para enaltecer o papel do Presidente da República, João Lourenço, na promoção de políticas para a reconciliação e a valorização da memória das vítimas dos conflitos políticos.
Por outro lado, defendeu a necessidade de reconhecimento da Igreja Tocoísta como uma instituição angolana que também sofreu perseguições ao longo da história e do seu contributo para o país.
Afonso Nunes apelou à unidade entre os fiéis tocoístas, desencorajando divisões internas.
Considerou ainda que o processo de exumação e dignificação das vítimas terá um impacto positivo não apenas para as famílias afectadas, mas também para toda a sociedade angolana, ao promover a paz espiritual e social.
in Angop