
No Huambo, dezenas de pessoas que vivem com diabetes voltaram a exigir, esta sexta-feira, 14, maior apoio do Governo, especialmente na subvenção de medicamentos e meios de tratamento, cujo custo elevado tem tornado insustentável o controlo da doença para grande parte dos doentes.
O apelo foi feito por ocasião do Dia Mundial da Diabetes, assinalado hoje, durante uma ronda de auscultação promovida pela imprensa local.
O presidente da Associação de Diabéticos do Huambo, Adelino António Pedro, revelou que a organização acompanha actualmente cerca de 930 pacientes, muitos deles reformados com pensões baixas, que lutam diariamente para conseguir adquirir medicamentos essenciais ao tratamento.
Segundo explicou, a situação tem-se agravado com o aumento de novos casos e a incapacidade de muitos pacientes em acompanhar os custos do tratamento.
“Os preços dos medicamentos para a diabetes são altos. Muitos não conseguem comprar. Quando podemos, ajudamos os mais vulneráveis, mas não é suficiente. Precisamos que o Governo intervenha com subvenções”, apelou.
O responsável destacou ainda que o gabinete local da Saúde tem prestado apoio dentro das suas possibilidades, mas que a demanda supera largamente a capacidade de resposta.
Embora clínicas e farmácias locais disponham dos fármacos necessários, os preços elevados tornam-nos inacessíveis a grande parte da população, sobretudo aos reformados que dependem de pensões do INSS.
Adelino Pedro reforçou que a falta de financiamento público para estes tratamentos coloca vidas em risco, uma vez que muitos doentes acabam por interromper a medicação.
Também o secretário-geral da Associação de Renascimento em Saúde (ARS), Marcelino Domingos Martinho, defendeu a subvenção urgente dos medicamentos e a implementação de políticas públicas mais robustas para combater a doença.
O responsável lembrou que a diabetes pode provocar complicações severas, como doenças cardíacas, derrames, insuficiência renal, cegueira e amputações.
Explicou ainda que a glicose elevada de forma crónica danifica os vasos sanguíneos, reduzindo o fluxo sanguíneo e afectando órgãos vitais como rins, olhos, nervos e extremidades.
Celebrado em 14 de Novembro, o Dia Mundial da Diabetes foi instituído pela OMS e pela Federação Internacional de Diabetes para alertar os governos e populações sobre a necessidade de acesso adequado a cuidados de saúde.
No Huambo, porém, os doentes afirmam que a consciência existe, mas o que falta é acção concreta. Enquanto a doença avança e o número de diabéticos aumenta, a população espera que as reivindicações deste ano resultem na adopção de medidas que garantam acesso equitativo aos tratamentos e medicamentos essenciais.