
O jornalista Sebastião Malungo Amaral, representante provincial do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) no Uíge, terá sido afastado do Centro de Produção da Televisão Pública de Angola (TPA) naquela província, numa decisão que está a gerar controvérsia entre profissionais da comunicação social local.
Segundo informações recolhidas junto de fontes ligadas à estação pública, o jornalista, com mais de 25 anos de serviço na TPA, vinha mantendo uma postura crítica em relação à gestão do actual director provincial, Manuel Domingos de Sousa, sobretudo em matérias relacionadas com as condições de trabalho dos profissionais e alegadas irregularidades internas.
De acordo com as mesmas fontes, Sebastião Amaral já teria sido alvo de vários processos disciplinares e permanecido afastado das actividades profissionais durante mais de 90 dias, após ter remetido comunicações à administração da TPA denunciando alegados comportamentos considerados inadequados por parte da direcção local.
Fontes próximas do processo sustentam que, durante a instrução disciplinar, não foram produzidas provas suficientes que confirmassem as acusações inicialmente imputadas ao jornalista. Ainda assim, o seu afastamento acabou por ser concretizado.
Ambiente de tensão
Nos últimos meses, o representante provincial do SJA terá protagonizado diversas denúncias relacionadas com alegadas práticas de abuso de autoridade, perseguição laboral e má gestão no Centro de Produção da TPA no Uíge.
Um dos casos denunciados pelo jornalista Sebastião Amaral está relacionado com um suposto envolvimento amoroso entre uma repórter da TPA no Uíge, identificada como Fátima Filipe, e o director provincial Manuel Domingos de Sousa, situação que, segundo fontes próximas do processo, terá contribuído para o seu afastamento das actividades profissionais durante vários meses.
As denúncias terão contribuído para o agravamento do clima de tensão entre o sindicalista e a direcção provincial da estação pública.
Paralelamente, o jornalista encontra-se envolvido em processos judiciais relacionados com alegadas acusações de difamação e calúnia, instaurados pelo director provincial da TPA, na sequência de divergências públicas entre as partes.
A situação tem suscitado reacções entre profissionais da comunicação social no Uíge, que encaram o afastamento de Sebastião Amaral como um possível sinal de fragilidade das garantias de liberdade sindical e de expressão dentro dos órgãos públicos de comunicação social.
Vários jornalistas ouvidos por fontes locais consideram que o exercício de funções sindicais implica, por natureza, a defesa dos direitos laborais dos profissionais e o acompanhamento de situações consideradas lesivas para a classe.