
A embaixadora extraordinária e plenipotenciária de Angola em França, Guilhermina Contreiras da Costa Prata, regressou esta semana a Paris, depois de quase dois meses de ausência da missão diplomática, numa altura em que a sua presença na capital francesa coincide com a participação de uma delegação angolana na Cimeira Internacional do Espaço.
O regresso da diplomata ocorre depois de uma prolongada estadia em Luanda, para onde se deslocou na segunda semana de Julho, na sequência de uma convocação atribuída ao ministro das Relações Exteriores, Teté António, num contexto marcado por sucessivas queixas e acusações relacionadas com a sua gestão à frente da Embaixada de Angola em França.
Segundo apurou o Imparcial Press, a deslocação da embaixadora a Luanda criou expectativas quanto ao seu futuro político e diplomático.
Entre as questões que estariam em análise constavam alegações de assédio moral, perseguição laboral, despedimentos irregulares e outras situações administrativas atribuídas à gestão da missão diplomática.
Contudo, conforme fontes deste jornal, a permanência de Guilhermina Prata em Luanda acabou por transformar-se num período de incerteza.
As mesmas fontes afirmam que a diplomata não terá sido recebida nem pelo ministro das Relações Exteriores, que teria estado na origem da sua convocação, nem pelo Presidente da República, João Lourenço. Ou seja, não foi tida nem achada.
A situação terá provocado profundo mal-estar na diplomata, que regressou a Paris sem uma decisão conhecida sobre as questões que motivaram a sua chamada a Luanda.
O regresso da embaixadora ganha particular relevância pelo momento em que acontece. Guilhermina Prata reaparece em Paris precisamente quando Angola participa na primeira Cimeira Internacional do Espaço, no Grand Palais e organizada por iniciativa do Presidente francês, Emmanuel Macron.
O encontro reúne delegações de dezenas de países, representantes de governos, agências espaciais, cientistas, astronautas e empresas do sector, num momento em que a disputa tecnológica e estratégica pelo espaço assume uma importância crescente nas relações internacionais.
As autoridades francesas apontam para cerca de 120 delegações estrangeiras e mais de mil empresas ligadas à indústria espacial presentes no evento.
Angola faz-se representar por uma delegação chefiada pelo ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, em representação do Presidente João Lourenço.
A delegação integra igualmente Guilhermina Prata e o director-geral do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional, Zolana João.
À margem da cimeira, a delegação angolana manteve contactos com a Airbus Defence and Space e com a Agência Espacial Africana, tendo sido abordado, entre outros assuntos, o estado de execução do projecto ANGEO-1, destinado à observação da Terra.
Angola prevê igualmente avançar com a sua aproximação à aliança Space4Ocean, iniciativa que procura utilizar tecnologias e dados espaciais na protecção dos oceanos e no desenvolvimento sustentável.
Regresso sem explicações
É neste cenário que a presença da embaixadora volta a ganhar visibilidade. Depois de quase dois meses afastada de Paris e de uma permanência prolongada em Luanda, Guilhermina Prata regressa à missão diplomática sem que tenha sido tornado público qualquer esclarecimento sobre o resultado da convocação que motivou a sua saída de França.
A ausência de uma posição oficial sobre as alegações que terão estado na origem da deslocação deixa em aberto várias questões: foram ou não analisadas as queixas contra a gestão da embaixadora? Houve alguma investigação? A sua continuidade no cargo foi formalmente confirmada?
Até ao momento, não é conhecida uma explicação pública do Ministério das Relações Exteriores sobre o desfecho do processo.
Para fontes ouvidas pelo Imparcial Press, o episódio levanta dúvidas sobre a forma como o Ministério das Relações Exteriores está a gerir as questões internas das missões diplomáticas.