
A embaixadora extraordinária e plenipotenciária de Angola em França, Guilhermina Contreiras da Costa Prata, poderá estar em vias de ser exonerada do cargo, depois de ter sido convocada pelo ministro das Relações Exteriores, Teté António, para uma reunião em Luanda destinada a analisar as sucessivas denúncias que têm sido dirigidas contra a sua gestão à frente da missão diplomática em Paris.
Segundo fontes do Imparcial Press, a diplomata chega nesta final de semana a Luanda e deverá reunir-se nos próximos dias com a direcção do Ministério das Relações Exteriores (MIREX), onde será confrontada com um conjunto de queixas relacionadas com alegados casos de assédio moral, perseguição laboral, despedimentos considerados ilegais e irregularidades administrativas.
Entre os assuntos que deverão dominar a reunião constam as denúncias apresentadas pelos ministros-conselheiros Manuel António e Anabela Gourgel, que terão acusado a embaixadora de adoptar uma postura considerada humilhante e desrespeitosa no relacionamento com membros da missão diplomática.
Também deverá ser analisada uma carta enviada recentemente ao MIREX por funcionários da Embaixada de Angola em França, na qual são relatadas alegadas situações de humilhações, ofensas verbais, intimidação, despedimentos sem fundamento e um ambiente de trabalho descrito como “insustentável”.
Nas últimas semanas, o Imparcial Press revelou igualmente novas denúncias segundo as quais funcionários da missão diplomática acusam a embaixadora de ter tolerado ou incentivado alegadas gravações clandestinas de conversas privadas entre trabalhadores da embaixada, práticas que violam a legislação francesa sobre protecção da vida privada.
As mesmas denúncias referem ainda que uma funcionária terá sido despedido com base em alegados argumentos considerados falsos, após a utilização dessas gravações, enquanto outros trabalhadores receiam vir a enfrentar idênticas consequências.
Fontes próximas da missão diplomática afirmam que a convocatória do Ministério provocou forte impacto junto da embaixadora.
“Logo após receber a notificação do MIREX, a embaixadora desatou a chorar. Vários funcionários ouviram os gritos e chegaram a pensar que tinha recebido uma notícia trágica”, relatou uma fonte ouvida pelo Imparcial Press.
De acordo com outra fonte, nos últimos dias a responsável terá orientado os serviços administrativo e financeiro da embaixada a regularizar diversos processos pendentes, incluindo pagamentos que permaneciam por liquidar há vários meses.
“Um antigo funcionário despedido em Fevereiro, que estava sem receber os salários em atraso, foi finalmente pago durante este mês de Julho”, afirmou.
As denúncias contra Guilhermina Prata sucedem-se desde a sua chegada à representação diplomática em França e descrevem um ambiente de trabalho marcado por perseguições internas, clima de medo e sucessivos conflitos com funcionários locais e diplomatas.
Caso a exoneração venha a confirmar-se, representará uma das mais mediáticas mudanças na diplomacia angolana dos últimos anos, depois de meses de contestação interna e de sucessivas denúncias sobre o funcionamento da Embaixada de Angola em França.