
Funcionários da Embaixada de Angola em França denunciaram alegadas práticas de intimidação, pressão psicológica e degradação do ambiente laboral na missão diplomática, apelando à intervenção das autoridades angolanas e ao afastamento da embaixadora Guilhermina Contreiras da Costa Prata.
Ao Imparcial Press, os trabalhadores relatam um ambiente de trabalho marcado pelo receio de represálias, ausência de diálogo e crescente deterioração das relações entre a chefia e o corpo funcional da representação diplomática.
Segundo os relatos, vários funcionários afirmam sentir-se impedidos de expressar opiniões ou preocupações profissionais por receio de sanções ou censuras públicas. A situação, dizem, terá contribuído para um clima de tensão permanente, com impactos no desempenho institucional da missão.
Os mesmos sustentam ainda que a actual liderança diplomática tem provocado um distanciamento crescente entre a embaixada e a comunidade angolana residente em França, que alegadamente se sente pouco ouvida e insuficientemente representada.
Outra das questões levantadas prende-se com a presença de um agente de segurança destacado de Angola para acompanhar a embaixadora. De acordo com os funcionários, a medida causou estranheza no seio da missão diplomática, uma vez que anteriores chefes da representação angolana em Paris não beneficiaram de segurança permanente.
Os funcionários afirmam existir a percepção de que o referido agente desempenharia funções para além da protecção pessoal da embaixadora, recolhendo informações sobre conversas e actividades internas dos funcionários.
As fontes do Imparcial Press referem igualmente alegadas práticas de vigilância interna e incentivo à denúncia entre colegas, situação que estaria a fomentar divisões e um ambiente de desconfiança incompatível com o funcionamento normal de uma missão diplomática.
Pressão psicológica
Os trabalhadores denunciam ainda episódios recorrentes de tratamento considerado ofensivo e humilhante, incluindo alegados gritos, repreensões públicas e comentários depreciativos dirigidos a funcionários locais e diplomatas.
Conforme os testemunhos, muitos trabalhadores afirmam não dispor de oportunidade para apresentar esclarecimentos ou exercer o contraditório quando são alvo de críticas ou acusações, o que estaria a alimentar um sentimento de injustiça e impotência dentro da instituição.
As queixas estendem-se também às condições de trabalho. Os funcionários alegam que existe uma exigência rigorosa relativamente aos horários de entrada, sem que o mesmo critério seja aplicado ao horário de saída, sendo frequentes situações de prolongamento da jornada laboral sem compensação ou consideração pelas obrigações familiares dos trabalhadores.
Um dos episódios relatados refere-se a uma fuga de água registada nas instalações da embaixada. Segundo os funcionários, após uma visita externa ter observado um balde colocado para recolher a água, a embaixadora terá reagido de forma exaltada, dirigindo críticas e repreensões aos trabalhadores, apesar de estes não terem qualquer responsabilidade pela avaria.
Os denunciantes consideram que episódios desta natureza não são isolados, descrevendo um padrão de gestão assente em alegada agressividade verbal e desrespeito pelos colaboradores.
Face ao que classificam como um ambiente de trabalho “marcado pelo medo, intimidação e falta de respeito pela dignidade humana”, os funcionários apelam à intervenção do Ministério das Relações Exteriores para averiguar as denúncias e restaurar condições de funcionamento compatíveis com os princípios da administração pública e da diplomacia angolana.
A embaixadora Guilhermina Prata foi nomeada para o cargo em Janeiro de 2023 pelo Presidente da República, João Lourenço, após uma longa carreira na magistratura, que incluiu funções de vice-presidente do Tribunal Constitucional.