
Gelson da Conceição Mateus “Bravo”, representante da Liga dos Desportos, Cultura e Ambiente (LIDECA), foi eleito por unanimidade presidente do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), para o mandato 2026-2031, durante a VIII Assembleia Geral Ordinária de Balanço e Renovação de Mandatos, realizada no dia 30 de Setembro, no Palácio da Justiça, em Luanda.
A eleição decorreu com uma lista única, que passou a integrar organizações juvenis ligadas a estruturas partidárias, igrejas, associações estudantis, organizações sociais, culturais, ambientais e de voluntariado.
A nova direcção substitui a equipa liderada por Isaías Domingos da Cunha Mateus “Kalunga”, que deixou a presidência depois de um mandato iniciado em 2020. Kalunga não se recandidatou por razões relacionadas com o limite de idade previsto nos estatutos.
Na nova estrutura, Clésio Falcone Pontes Pereira, em representação da JMPLA, assume a presidência da Mesa da Assembleia Geral, tendo Benedito Chilembo, da HARPA, como vice-presidente, e Aulio Gomes, da Liga da Juventude Lusófona, como secretário.
Na Comissão Directiva, Gelson Bravo será coadjuvado por Acácio Bento Cussei, da Associação de Apoio às Famílias Desfavorecidas de Angola, para a área de Administração e Finanças; Wilber Cassule da Conceição, da Associação dos Jovens Patriotas Angolanos, para Organização; e Filemon Cabral, da Juventude da Igreja Evangélica de Angola, para Projectos e Programas.
Integram ainda a Comissão Directiva Teresa Malalu, da JURS/PRS, para Promoção e Género; Yuri Carlos Rebelo, da Associação Brincando com as Artes, para Informação e Marketing; Gomes dos Santos, da Associação dos Escuteiros de Angola, para Relações Internacionais; António Feli, da Associação dos Estudantes das Universidades Privadas de Angola, para Desenvolvimento Sustentável; e Wilson Alfredo, do Ministério Jovem da Igreja Adventista do Sétimo Dia, para Associativismo e Voluntariado.
O Conselho Fiscal e Jurisdicional será presidido por Daniel Sebastião, da Juventude da Frente Nacional de Libertação de Angola (JFNLA), tendo Yuri Abel, da AJATERRA, como vice-presidente, e Manuel António Mateus Sacala, da ANALD, como vogal.
A assembleia aprovou também a entrada de novas organizações como membros efectivos, entre as quais a Juventude do Conselho de Igrejas Cristãs de Angola (JUCICA), a Pastoral Juvenil da Igreja Católica, a Juventude Servidora de Angola do PRA-JA Servir Angola, a Associação dos Estudantes de Angola, a AAAJA, a AMUNA, a ANDEIA, a MOVIJOVEM, a ACEQUA, juventudes de partidos políticos, organizações religiosas, associações empresariais, estudantis e de voluntariado.
Entre as novas estruturas admitidas estão igualmente organizações como a JPA-PPA, JUPAL, FADU, JMUA, JUCIRA, JUCARENTE, AVPA, Associação Kissonde, ANCEFOP, A-MBAIA, AJACOM, AJURDEC, Associação dos Catadores de Angola e Africa Love.
A assembleia apreciou e aprovou o relatório de actividades, o relatório de contas e patrimonial e uma proposta de revisão parcial dos estatutos, além de ter analisado o relatório da comissão de verificação de mandatos.
O processo de renovação acontece num momento em que o CNJ procura reforçar a sua representatividade e funcionamento interno.
Em Novembro de 2025, o ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão Pinto de Andrade, recebeu uma delegação do CNJ para discutir a representatividade juvenil, o funcionamento da organização e a necessidade de adaptação da sua estrutura à nova divisão político-administrativa do país.
O CNJ é uma organização de carácter social, apartidária e com personalidade jurídica própria, constituída como pessoa colectiva de direito privado e de utilidade pública sem fins lucrativos.
Os seus estatutos definem-no como uma plataforma de consulta, coordenação e concertação entre organizações juvenis e instituições públicas e privadas em matérias relacionadas com a juventude.
A Assembleia Geral é o órgão máximo de deliberação e tem competência para eleger os órgãos sociais, aprovar contas, rever estatutos e admitir ou excluir organizações.
Apesar desse enquadramento estatutário, a representatividade e a independência do CNJ têm sido objecto de debate. A JURA, ligada à UNITA, suspendeu em 2023 a participação nos órgãos deliberativos e executivos da plataforma, alegando partidarização e excesso de proximidade da direcção de então com o MPLA e com o Presidente da República.
Em 2025, o CNJ realizou uma reunião do Comité de Representantes Permanentes com a participação de organizações juvenis e Conselhos Provinciais, tendo aprovado os relatórios da instituição e preparado a Assembleia Geral de renovação dos órgãos.
A VIII Assembleia Geral contou na sessão de abertura com representantes do Governo Provincial de Luanda, do Ministério da Juventude e Desportos, da Casa Civil e da Casa Militar do Presidente da República.
O encerramento esteve a cargo do director-geral do Instituto Angolano da Juventude, Joaquim Caiombo, em representação do ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão Pinto de Andrade.
Com a passagem de testemunho de Isaías Kalunga para Gelson Bravo, o CNJ inicia agora um novo mandato de cinco anos, com uma estrutura que reúne organizações políticas, religiosas, estudantis e da sociedade civil.