General João Cruz da Fonseca acusado de incluir “fantasmas” na folha salarial do Batalhão de Transporte Rodoviário
General João Cruz da Fonseca acusado de incluir “fantasmas” na folha salarial do Batalhão de Transporte Rodoviário
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O antigo 2.º comandante do Exército angolano, tenente-general João Cruz da Fonseca, está a ser investigado pela Procuradoria Militar (PM) por alegado envolvimento em irregularidades financeiras no Batalhão de Transporte Rodoviário (BTR) do Cuando Cubango, incluindo suspeitas de desvios de fundos e existência de “funcionários fantasmas” na folha salarial da unidade militar.

Os factos remontam ao período em que o oficial exercia funções como comandante da 5.ª Divisão das Forças Armadas Angolanas (FAA), sedeada em Menongue, província do Cuando Cubango.

Segundo elementos constantes do processo de instrução da Procuradoria Militar, João Cruz da Fonseca terá admitido, durante diligências investigativas, a existência de práticas irulares na gestão de verbas desde 2021, envolvendo igualmente outros responsáveis militares ligados ao BTR.

A investigação refere que, no âmbito do recadastramento conduzido pela Procuradoria-Geral da República (PGR), vários nomes foram inicialmente classificados como inexistentes ou sem vínculo efectivo à unidade militar.

Entre os nomes apontados como constando da folha salarial, apesar de dúvidas quanto à sua ligação efectiva ao batalhão, figuram Pedro Telivinga, Daniel David, Artur Gabriel, António Tomás, Zacarias Chiloya, Emílio Kavela, Clementino Kapoko, Martinho Chiumuco, Alberto Huambo e José Kalimbalimba.

De acordo com o processo, estes indivíduos terão sido inicialmente identificados como “fantasmas” durante a verificação dos efectivos, mas acabaram posteriormente integrados ou mantidos nos registos salariais da unidade, situação que permanece sob investigação.

O documento em análise menciona ainda alegadas alterações na composição da folha salarial após o recadastramento, incluindo a introdução de novos nomes e suspeitas de inclusão de pessoas próximas de responsáveis militares afectos ao batalhão.

As autoridades investigam igualmente alegadas irregularidades na gestão de fundos do BTR desde 2021, existindo suspeitas de que parte das verbas destinadas aos efectivos não terá sido devidamente canalizada aos militares legítimos.

O processo refere também episódios de tensão durante a missão da PGR em Menongue, incluindo alegadas pressões sobre investigadores e efectivos militares no terreno, no contexto da reestruturação das listas salariais da unidade.

Além de João Cruz da Fonseca, são igualmente mencionados no âmbito das diligências os generais Francisco Pereira Furtado e António Carlos do Amaral, cujos nomes constam das investigações em curso.

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