Iko Lourenço herda a cultura dos filhos de José Eduardo dos Santos – Luís Moniz
Iko Lourenço herda a cultura dos filhos de José Eduardo dos Santos - Luís Moniz
JL familia

A recente revelação sobre Henrique Manuel Pires Lourenço, conhecido como “Iko”, filho varão do Presidente da República, João Lourenço, e a suposta apropriação da sede do Instituto de Combate e Controlo das Tripanossomíases (ICCT) no bairro Maculusso, em Luanda, suscita preocupações sérias sobre a integridade e a ética no exercício do poder.

De acordo com as informações, “Iko” Lourenço estaria a supervisionar obras de reabilitação para transformar o edifício numa residência privada ou escritório.

O ICCT é uma instituição pública autónoma, subordinada ao Ministério da Saúde, responsável por combater e controlar as doenças do sono (tripanossomíases) em Angola. Sendo uma entidade independente no seio do governo angolano, é crucial que funcione com integridade e transparência para cumprir a sua missão vital para a saúde pública do país.

Se estas alegações forem verdadeiras, estaríamos perante um claro exemplo de corrupção e apropriação indevida de recursos públicos. Seria mais um episódio de um membro da elite política angolana a usar a sua posição privilegiada para benefício pessoal, à custa do bem-estar da população.

Se, de facto, “Iko” Lourenço estiver a transformar uma instituição pública numa propriedade privada, estaria a seguir um triste legado deixado por outros filhos de antigos presidentes africanos, que, com o apoio dos pais, saquearam os cofres públicos e hoje enfrentam a justiça ou vivem como fugitivos.

A história recente de Angola tem sido manchada por escândalos de corrupção que minaram a confiança do povo nas instituições do Estado. Numa altura em que o país enfrenta desafios significativos, com as crises a mistura, desde questões de saúde até à infraestrutura e educação, é essencial que os recursos públicos sejam utilizados de forma responsável e transparente para o bem comum.

A apropriação de instituições públicas por interesses privados é um golpe devastador para a democracia e para o desenvolvimento do país, como vimos num passado ainda recente.

Os exemplos de corrupção na elite política angolana são abundantes e incluem casos como os de Tchizé dos Santos, Isabel dos Santos, José Paulino dos Santos “Coreon Du” e José Filomeno dos Santos “Zenu”, que, com o apoio do seu progenitor, José Eduardo dos Santos, se apropriaram indevidamente de recursos públicos. Este comportamento é um reflexo de uma cultura de impunidade que tem prevalecido por demasiado tempo em Angola.

O combate à corrupção deve continuar a ser uma prioridade absoluta para o governo angolano. Os responsáveis devem ser responsabilizados pelos seus actos, independentemente do seu estatuto ou conexões políticas. A impunidade só perpetua um ciclo vicioso de abuso de poder e desvio de recursos públicos.

Além disso, é essencial fortalecer as instituições de controlo e supervisão para prevenir futuros casos de corrupção. A transparência e a prestação de contas devem ser pilares fundamentais do sistema político angolano, garantindo que os interesses privados não prevaleçam sobre o bem-estar da sociedade.

Neste momento crítico, é fundamental que os cidadãos angolanos exijam responsabilidade e transparência das suas lideranças. O futuro do país depende da capacidade de construir instituições sólidas e transparentes que sirvam verdadeiramente os interesses do povo.

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