Inflação na Zona Euro – Juliana Evangelista Ferraz
Inflação na Zona Euro - Juliana Evangelista Ferraz
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Nos últimos dias do mês de Maio, a Zona Euro registou uma inflação de cerca de 2,6%, o que representa uma aceleração comparativamente ao mês anterior que se situou nos 2,4%. Os índices têm-se apresentado estáveis e alguns especialistas realçam que pelo facto de ser a primeira variação registada em cinco meses, a conjuntura é entendida como reflexo de algumas alterações nos preços de bens e serviços na economia.

De recordar que os riscos do sector financeiro ganharam maior visibilidade com a pandemia da Covid-19, quando os bancos centrais, para conter os efeitos nefastos decorrentes da pandemia, adoptaram fortes medidas de injecção de liquidez nos sistemas económicos.

Neste cenário, resultou no aumento da inflação a nível mundial, tendo o Banco Central Americano decidido pela subida das taxas de juro de referência, tornando os custos de crédito mais caros (quer no mercado interbancário, quer para o cliente final).

No histórico da Zona Euro indicam que na última dácada, a taxa de inflação tem-se relevado estável, oscilando entre – 0,25 e + 0,25 pontos, num período em que a inflação era quase inexistente, e passou a oscilar praticamente a partir do final do ano de 2021, com impacto no preço dos alimentos e energia que se tornaram mais caros. Assim, as famílias com menos recursos gastaram uma quota significativa dos seus rendimentos com os produtos mais afectados, incluindo os custos com a saúde.

Portanto, os bancos centrais em todo o mundo estão atentos e preocupados com o comportamento das finanças internacionais dos últimos tempos que exigirá, certamente, uma resposta robusta em termos de políticas monetárias, visto que o risco sistémico é um tema de extrema importância da agenda internacional, uma vez que o sentimento de crise de confiança no sector financeiro não se circunscreve apenas aos EUA, como também em outras geografias.

Porém, toda a crise tem um determinado efeito nos mercados, como, por exemplo, o impacto no crescimento mundial, oscilação do preço dos alimentos, energia entre outros. Isto porque aquilo que é hoje o mercado global contrasta marcadamente com o que era há 15 anos.

Os mercados financeiros são hoje mais sofisticados e têm um alcance e dimensão extraordinariamente maiores pelo número de intervenientes e operações transaccionais que comportam, o que, de certa forma, atenua o efeito de recessão, pois hoje uma crise dos bancos na Europa pode ser facilmente resolvida com injecção de capital proveniente de fundos originários da Zona Euro, o que era mais difícil há décadas atrás.

A oscilação da inflação teve visibilidade no sector dos serviços em cerca de 4,1%, sendo que em Abril o índice foi de 3,7%, para o sector alimentar, agregando bebidas alcoólicas e tabaco, a inflação atingiu cerca de 2,8%, teve uma variação de cerca de 7%.

O efeito inflacionista teve realce nas economias europeias, como por exemplo, na Alemanha em que o indice de inflação registou os 2,8% no mês de Maio, face aos 2,4% no mês de Abril. No entanto, a França apesar de também ter registado inflação, esteve numa melhor posição com cerca de 2,7%.

A Espanha teve uma inflação de 3,8% no mês de Maio, contra um índice de 3,4% no mês anterior, sendo que a inflação mais alta foi registada na Bélgica, em cerca de 4,9%.

Entretanto, Banco Central Europeu (BCE) já anunciou que nos próximos dias vai equacionar a possibilidade de aplicar a medida expansionista de baixar as taxas de juros com o objectivo de controlar a inflação e o aumento de riscos financeiros.

Com esta medida o custo do crédito tornar-se-á mais barato, quer no mercado interbancário, quer para o cliente final, por outro lado, estimular os investidores, consumidores e empresas.

Também é uma opção, em implementar reformas que impactem na eficiência do mercado de trabalho, promover a concorrência empresarial, que se traduz em vários desafios em termos de produtividade que ajudam a reduzir os custos de produção, permite ainda o controlo, manutenção e estabilização de preços.

Na verdade as medidas podem expandir-se para outros campos desde a implementação de programas de compra de activos, como títulos do governo e títulos corporativos, e ainda adoptar políticas que incentivem o investimento em tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, acções estas que podem aumentar o nível de produtividade e pressionar a reduzir os custos de produção num horizonte temporal, que vai ajudar a controlar a inflação.

*Economista

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