Jogo de poder na TAAG dita a saída da administradora Maria Pardal
Jogo de poder na TAAG dita a saída da administradora Maria Pardal
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A cessação de funções de Maria Manuela Resende da Costa Pardal do Conselho de Administração da TAAG – Linhas Aéreas de Angola está a ser interpretada internamente como o desfecho de um intenso jogo de poder no seio da transportadora aérea nacional, no qual a influência do actual administrador executivo para a área Comercial, Jaime Miguel Ferreira Carneiro, pupilo do ministro dos Transportes, terá sido determinante.

Embora o Ministério dos Transportes tenha comunicado ontem, sexta-feira, que a decisão resulta de deliberações unânimes dos accionistas em Assembleia Geral, enquadradas no reforço da governação e na execução do Plano Estratégico da companhia, fontes internas do Imparcial Press apontam para motivações mais profundas, ligadas a conflitos de gestão, disputas internas e rearranjos de influência no topo da empresa.

Maria Pardal, que exercia o cargo de administradora executiva para a área de Infra-estruturas, Cadeia de Suprimentos e Serviços, vinha sendo alvo de críticas severas por parte de quadros da companhia, que a acusavam de adoptar práticas consideradas intimidatórias e persecutórias, recorrendo a processos disciplinares como instrumento de pressão e afastamento selectivo de colaboradores e dirigentes tidos como desalinhados com a nova correlação de forças internas.

O caso mais emblemático terá sido o do então director de Sistemas e Tecnologias de Informação, Nilson Vieira, exonerado em menos de um ano de funções após um processo disciplinar controverso mandado instaurar por Maria Pardal.

A situação ganhou especial relevo por Vieira ter sido indicado para o cargo por Jaime Carneiro, facto publicamente assumido pelo próprio gestor durante a recepção de uma aeronave Airbus no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro.

Segundo fontes do Imparcial Press, apesar da exoneração, o despedimento de Nilson Vieira terá sido travado devido à sua proximidade com Jaime Carneiro, deixando-o numa situação descrita como “despedimento indirecto”, sem funções relevantes, com a categoria de assessor e com uma redução drástica do salário, que terá passado de cerca de seis milhões de kwanzas ilíquidos para aproximadamente 300 mil kwanzas.

Este episódio expôs fissuras internas e terá contribuído para o desgaste da posição de Maria Pardal, abrindo caminho para a sua saída num contexto de reconfiguração do poder executivo da companhia.

A leitura dominante entre quadros da empresa é a de que Jaime Carneiro consolidou a sua influência ao assumir, além da área comercial, a função de Chief Transformation Officer (CTO), com poderes delegados para a implementação do Plano Estratégico e dos programas de transformação da TAAG.

No comunicado, o Ministério dos Transportes anunciou ainda a nomeação de Misayely Celestino Isaac Abias como Administrador Executivo para a área de Manutenção e Engenharia e de Manuel Tavares de Almeida como Administrador Não Executivo, sublinhando que as alterações visam garantir estabilidade institucional, boa governação e capacidade de execução.

Apesar do discurso oficial, fontes do Imparcial Press descrevem o ambiente de gestão como marcado por concentração de poder, disputas internas e crescente instabilidade, alertando que estes factores poderão comprometer a missão institucional da TAAG enquanto operadora pública de referência.

Com um percurso profissional relevante em empresas como Refriango, OGMA e Candando, e exercendo desde Outubro de 2025 funções como Conselheira de Portugal no Mundo, Maria Pardal sai da TAAG sob forte controvérsia, num processo que muitos interpretam menos como uma decisão técnica e mais como o resultado directo de um rearranjo de forças no topo da companhia aérea nacional.

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