
No meu artigo anterior critiquei duramente a nova moda de assassínio de carácter em voga com recurso a sites apócrifos que abundam na nossa praça e com pseudojornalistas por detrás deles. A chantagem é a sua arma e a alma do seu jornalismo é manchetes estrondosas e mentiras grandiosas fundadas sob meias verdades.
Hoje o cerne é a Carteira. A carteira profissional e não a escolar. Falo da Carteira de Jornalista que, segundo se conta muitos destes pseudojornalistas possuem. Só pelo modus operandi, já estariam excluídos da classe profissional jornalística.
E pior, quando se colocasse os traços nos T e os pontos nos I no que tange a acessa-la, enquanto único instrumento que habilita a tão nobre profissão, bastava que se lhes pedisse a que dessem provas da sua aptidão profissional que logo se veria quem é quem!
As batatas podres do saco em que estamos todos juntos e misturados facilmente seriam identificadas e eliminadas a bem do jornalismo que tanto se precisa e se reclama.
Acto contínuo, seria razoável que as fontes estivessem instruídas e/ou treinadas, mediante processo de Literacia da Midia, para que exigissem a Carteira Profissional como sendo o único ‘alvará’ que habilitasse a qualquer um que se apresentasse na condição profissional de jornalista.
Neste quesito devíamos instruir as fontes para “esquecerem” os passes, coletes e bolas de vento timbradas com os nomes destes títulos que ao fim das contas são os distintivos que supostos jornalistas exibem.
Por via das suas áreas de comunicação, as fontes teriam soberana oportunidade de com um click checar a autenticidade da Carteira Profissional, pois ela (a carteira) possui um QR que permite acesso directo a base de dados da Comissão de Carteira e Ética (CCE).
Assim, as fontes estariam a ajudar a sacudir os frutos podres da árvore anarquizada em que se transformou o jornalismo angolano.
A uma entidade reguladora da Comunicação Social (agora não sei se a ERCA ou o MINTTICS) caberia a missão de observar, corrigir e punir as reincidências que violassem os princípios basilares do jornalismo por parte de todos que se proclamasse fazer jornalismo na sua esfera de actuação.
Com esta entidade, ficaria clara a fronteira entre o dito jornalismo-cidadão e o jornalismo-profissional, atendendo que agora o refúgio de muitos é a capa do exercício das liberdades de EXPRESSÃO e OPINIÃO.
A Comissão de Carteira e Ética tornar-se-ia num ente mais actuante e presente, transformando-se numa espécie de ‘cão de guarda’ para os jornalistas profissionais, exercendo em pleno o que está plasmado na Lei, a dimensão do território nacional.
Teria de contar com ajuda dos poderes públicos para estabelecer esta autoridade. A ajuda poderia ser na definição da forma de encaminhar a ela os recursos financeiros, melhorar os seus recursos humanos (em quantidade e capacitação).
Conferir-lhe mais dignidade valorizando a sua função, ou seja, sairmos da perpectiva de comissão para “inglês ver” para uma verdadeira autoridade de autorregulação.
Mas, tudo isso, parece miragem entre nós. Jornalismo anarquizado interessa a alguns. Fazer da profissão a “casa da mãe Joana” serve melhor os interesses propagandísticos que organizar a classe e conferir-lhe dignidade de uma profissão.
Enquanto isso, a caravana segue imparável e tudo que sobra é como o cão da minha vizinha Domingas, o Tobias: Ladra que ladra, mas todos sabemos que não morde!
*Jornalista