Jú Martins rejeita cenário de bicefalia no MPLA e justifica recandidatura de João Lourenço com “unidade estratégica” até 2027
Jú Martins rejeita cenário de bicefalia no MPLA e justifica recandidatura de João Lourenço com "unidade estratégica" até 2027
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O mandatário da recandidatura de João Lourenço à presidência do MPLA, João de Almeida Martins, ou melhor, Jú Martins, justificou esta segunda-feira a permanência do actual líder do partido à frente da formação política com a necessidade de garantir “unidade de acção estratégica” até às eleições gerais de 2027, afastando igualmente os receios de um cenário de bicefalia no seio do partido e do Estado.

Falando à imprensa, em Luanda, após a formalização da candidatura de João Lourenço ao cargo de presidente do MPLA, Jú Martins afirmou que o partido necessita de uma coordenação política “estável e coerente” para conduzir o processo eleitoral e assegurar alinhamento entre a liderança partidária e a governação.

“O MPLA precisa de ter um fio condutor estratégico único”, declarou.

As explicações surgem num momento em que cresce o debate político em torno da possibilidade de João Lourenço continuar a liderar o MPLA após o fim do seu mandato presidencial, apesar de estar constitucionalmente impedido de se recandidatar à Presidência da República em 2027, devido ao limite de dois mandatos consecutivos previsto na Constituição angolana.

Questionado sobre o risco de bicefalia – expressão frequentemente utilizada para descrever a separação entre a liderança partidária e a chefia do Executivo – Jú Martins rejeitou as interpretações que têm sido feitas em torno do tema.

“Bicefalia são duas cabeças num único corpo”, afirmou, sustentando que os cargos de Presidente da República e presidente do partido correspondem a órgãos distintos e com competências diferentes.

Segundo explicou, o conceito ganhou expressão em Angola nos anos 90, durante a coexistência das figuras de Presidente da República e Primeiro-Ministro, situação que, na altura, gerava conflitos na condução do poder executivo.

“O debate está a ser feito de forma incorrecta”, insistiu.

O mandatário defendeu ainda que a limitação de mandatos introduzida anteriormente nos estatutos do MPLA poderia criar riscos de fragmentação estratégica entre o partido e o Executivo, fragilizando a capacidade política da organização.

Na sua visão, sendo o MPLA o partido governante, o Executivo constitui o principal instrumento de concretização das promessas eleitorais, razão pela qual considera importante preservar uma linha de orientação política única até ao próximo ciclo eleitoral.

“O candidato do MPLA à Presidência da República não é quem quer, é quem o partido entende ser o mais adequado”, afirmou, acrescentando que essa escolha caberá exclusivamente aos órgãos internos do partido, nomeadamente ao Bureau Político e ao Comité Central.

Jú Martins garantiu igualmente que o processo de recandidatura decorreu em conformidade com os estatutos e regulamentos internos do MPLA, esclarecendo que se trata de uma candidatura directa, apresentada pelo próprio João Lourenço.

Segundo revelou, a candidatura reuniu 11.118 assinaturas de militantes, número superior às cinco mil subscrições exigidas, distribuídas pelas 21 províncias do país.

O mandatário afirmou ainda que o futuro presidente do MPLA será legitimado pelos cerca de três mil delegados previstos para o congresso ordinário do partido, marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro deste ano.

A recandidatura de João Lourenço tem vindo a gerar forte debate político interno, com sectores críticos do MPLA a defenderem maior abertura democrática no processo sucessório e alertarem para riscos de concentração prolongada de influência política no actual líder partidário, mesmo após o fim do seu ciclo constitucional à frente do Estado angolano.

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