
O activista político Francisco Teixeira denunciou este domingo ter sido alvo de uma alegada tentativa de homicídio em Malanje, depois de a viatura em que seguia ter sido apedrejada por um grupo de jovens, militantes do MPLA, numa acção que resultou em danos materiais no veículo e ferimentos em membros da sua comitiva.
Fontes do Imparcial Press consideram que a acção poderá ter sido ordenada pelo governador provincial de Malanje, Marcos Nhunga, alegando que acontecimentos desta natureza dificilmente ocorreriam sem o conhecimento das autoridades locais.
“Nós acreditamos que o governador Marcos Nhunga tem ligação com esta acção, porque, quando estávamos a ser atacados, os efectivos da Polícia encontravam-se nas imediações e limitaram-se a assistir ao sucedido”, afirmou uma das vítimas.
Numa publicação nas redes sociais, o antigo presidente do Movimento de Estudantes Angolanos e líder do Movimento Cívico para a Mudança (MSM) acusou militantes do MPLA de estarem por detrás da acção, afirmando que o grupo teria sido mobilizado para impedir a realização das suas actividades na província.
“O MPLA aqui na província de Malanje pagou jovens para nos matarem. É desta forma que ficou a viatura”, escreveu Francisco Teixeira, numa mensagem acompanhada por fotografias e vídeos que mostram os vidros da viatura destruídos.
Segundo informações divulgadas pelo activista, o incidente ocorreu após a sua chegada a Malanje, onde se encontrava para participar num debate público promovido por organizações da sociedade civil. A actividade acabou por não se realizar, alegadamente devido a pressões exercidas sobre o proprietário do espaço inicialmente reservado para acolher o evento.
Fontes ligadas ao MSM indicaram que vários membros da delegação sofreram ferimentos durante o incidente, embora não tenham sido divulgados números oficiais nem a gravidade das lesões.
Entretanto, membros do movimento informaram que um dos presumíveis participantes no apedrejamento imobilizado pelas vítimas e entregue às autoridades locais, encontrando-se o caso sob investigação. Até ao momento, a Polícia Nacional não divulgou qualquer balanço oficial sobre os acontecimentos.
O incidente suscitou reacções de figuras políticas e organizações da sociedade civil. O deputado da UNITA, Nelito Ekuikui, manifestou solidariedade para com Francisco Teixeira e condenou o que classificou como um acto de intolerância política.
“Nenhum cidadão deve ser alvo de violência ou perseguição por causa das suas convicções políticas. A democracia exige respeito pela diferença, diálogo e convivência pacífica”, escreveu o parlamentar nas redes sociais.
Também o Movimento Cívico para a Mudança divulgou um comunicado em que condena “todas as manifestações de agressão, ameaça, hostilidade e intolerância política” e apela às autoridades para a realização de uma investigação “rápida, imparcial e transparente”.
Na nota, a organização considera que actos de violência motivados por divergências políticas representam uma ameaça aos princípios democráticos e ao exercício das liberdades fundamentais consagradas na Constituição angolana.
O episódio ocorre num contexto de crescente actividade de movimentos cívicos e de preparação do ambiente político para os próximos desafios eleitorais, numa altura em que organizações da sociedade civil têm defendido maior abertura ao debate público e à participação política em diferentes regiões do país.
Até ao momento, não foi divulgada qualquer posição oficial da Polícia Nacional, do Governo Provincial de Malanje ou das estruturas provinciais do MPLA sobre as alegações apresentadas por Francisco Teixeira.