
O militante do MPLA Fernando de Matos Mota, conhecido por Matos Mota Kito, confirmou ter deixado o Comité Provincial do partido em Luanda, após dois mandatos, e afirmou ter obtido nove valores em 20 na avaliação que antecedeu a sua saída do órgão, segundo uma nota de agradecimento e despedida divulgada pelo próprio.
Na nota, datada de 26 de setembro, em posse do Imparcial Press, Matos Mota afirmou que foi “cessado” das funções de membro da Comissão Executiva, “exonerado” do cargo de chefe da Área de Política de Quadros e, posteriormente, afastado do Comité Provincial do MPLA em Luanda.
O militante relacionou a sua saída do órgão provincial com a avaliação interna realizada no âmbito do processo de renovação de mandatos, afirmando que deixou o Comité Provincial com a classificação de nove valores em 20.
A saída ocorreu no âmbito da XIV Conferência Provincial Ordinária do MPLA em Luanda, realizada em 26 de Setembro, que integrou o processo de renovação dos órgãos provinciais do partido rumo ao IX Congresso Ordinário, previsto para Dezembro.
Durante a conferência foram eleitos candidatos ao Comité Provincial, delegados ao congresso e candidatos ao Comité Central.
Matos Mota afirmou ser militante do MPLA há mais de 43 anos e apresentou, na mensagem, um extenso percurso dentro do partido, referindo ter sido pioneiro do MPLA em Calulo, coordenador da Célula Única do partido no Ministério do Plano, fundador e primeiro-secretário do CAP 112 da Ingombota e segundo-secretário municipal do MPLA na mesma circunscrição.
Segundo o próprio, exerceu posteriormente funções como chefe do Departamento de Organização e Mobilização do MPLA na província de Luanda e integra a carreira política do partido desde 2004, com a categoria de instrutor de primeira classe.
Matos Mota afirmou ainda ter integrado grupos de acompanhamento do Comité Provincial do MPLA aos municípios da Quiçama, Icolo e Bengo, Belas, Kilamba Kiaxi, Sambizanga, Cazenga e Rangel.
Na área da comunicação digital, alegou ter sido um dos pioneiros do chamado “cyberactivismo” no MPLA e ter mobilizado mais de 256 activistas digitais. Disse igualmente ter colaborado com estruturas do Comité Central ligadas à comunicação digital e à mobilização política estratégica.
O militante afirmou também ter exercido funções de conferencista e formador em Ciências Filosóficas e Políticas na sede nacional do partido e ser actualmente coordenador para Inovação e Tecnologia do Comité de Especialidade dos Empresários e Empreendedores do MPLA.
Na mesma nota, Matos Mota afirmou ter sido distinguido pelo Presidente da República, João Lourenço, com um Certificado de Mérito pela sua participação nas eleições de 2017, quando Higino Carneiro era primeiro-secretário provincial do MPLA em Luanda.
Apesar da saída do Comité Provincial, Matos Mota afirmou ter sido reeleito primeiro-secretário do CAP 112 da Ingombota durante o actual processo orgânico, defendendo que esse resultado demonstra a sua continuidade na estrutura de base do partido.
“É na base que está a verdade do militante”, escreveu, referindo-se à sua reeleição.
Na mensagem, Matos Mota afirmou ainda que continuará a actuar no MPLA como assessor e mandatário de Higino Carneiro, apresentando-se como apoiantes da candidatura deste à liderança do partido e defendendo, segundo as suas próprias palavras, um MPLA “mais unido, mais inclusivo e mais virado para o futuro”.
Higino Carneiro apresentou efectivamente uma candidatura à presidência do MPLA no âmbito do processo preparatório do IX Congresso. Em Julho, porém, a Subcomissão de Candidaturas do congresso considerou nulo o respectivo processo, alegando ter identificado irregularidades nas fichas de subscrição, incluindo documentos considerados falsos e assinaturas irregulares.
A não inclusão de Matos Mota no novo Comité Provincial foi também noticiada pelo Imparcial Press, que, citando sectores ligados ao processo, atribuiu a sua exclusão à relação do militante com a candidatura de Higino Carneiro.
Na XIV Conferência Provincial, Luís Nunes foi reeleito primeiro-secretário provincial do MPLA em Luanda, com 1.284 votos. A conferência reuniu delegados dos 16 municípios e enquadrou-se no processo de preparação do IX Congresso Ordinário.
Matos Mota declarou, por seu lado, que deixa o Comité Provincial “de cabeça erguida”, com “consciência de dever cumprido e com gratidão”, reafirmando a sua condição de militante do MPLA.
“O MPLA é maior que todos nós”, escreveu, concluindo que continuará a trabalhar pelo partido a partir de outras funções e na estrutura de base.