
A ameaça de greve dos técnicos de manutenção da TAAG expôs posições distintas entre os dois principais responsáveis da companhia aérea de bandeira nacional.
Enquanto o presidente da Comissão Executiva (PCE), Jaime Miguel Ferreira Carneiro, é apontado por funcionários como tendo adoptado uma postura de confronto perante as ameaças de paralisação, o presidente do Conselho de Administração (PCA), Clóvis Rosa, assumiu publicamente o diálogo e a negociação como via para ultrapassar o conflito.
Dias antes do Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (STMA) anunciar a greve, durante encontros com funcionários, Miguel Carneiro terá reagido às ameaças de greve com uma posição menos inteligente.
Segundo fontes do Imparcial Press, o PCE chegou a afirmar: “querem fazer greve? Força!”, acrescentando que a Comissão Executiva assumiria as consequências, porque estaria na companhia para “fazer o difícil”.
A postura ganhou novo significado quando o STMA avançou efectivamente com um pré-aviso de greve para 01 de Setembro. A paralisação abrangia as áreas técnicas da companhia e ameaçava afectar a operação de voos domésticos e internacionais. Entre as reivindicações estavam ajustes salariais e críticas à condução das negociações pela Administração.
Perante a possibilidade concreta de paralisação, foi, contudo, Clóvis Rosa quem apareceu na comunicação institucional da companhia a defender uma solução negociada.
Num comunicado divulgado pela TAAG, o PCA valorizou a decisão dos trabalhadores de manter o diálogo e reconheceu a existência de matérias nas quais ainda seria necessário aproximar posições.
“Valorizamos a decisão de manter o diálogo e de prosseguir as negociações”, afirmou Clóvis Rosa, defendendo que o processo deveria ser conduzido com responsabilidade e com consciência de que trabalhadores e Administração fazem parte da mesma companhia.
A posição do PCA contrasta, assim, com o discurso de confronto atribuído ao PCE nos encontros anteriores. Enquanto Miguel Carneiro terá desafiado os funcionários a avançarem para a greve, Clóvis Rosa apresentou a negociação e a procura de consensos como o caminho a privilegiar para evitar uma ruptura laboral.
A diferença de posicionamento ganha particular relevância porque Miguel Carneiro assumiu a presidência da Comissão Executiva apenas em Junho deste ano, enquanto Clóvis Rosa permaneceu à frente do Conselho de Administração na nova estrutura de governação da TAAG. Os novos órgãos sociais tomaram posse a 15 de Junho, inaugurando uma nova fase do programa de transformação da companhia.
A greve acabou por não se concretizar em 01 de Setembro. A Administração anunciou a retirada do pré-aviso após reuniões com a estrutura sindical e garantiu a continuidade das negociações.
No entanto, uma acta posteriormente divulgada pelo Novo Jornal indica que o STMA considerou a medida uma protelacção da greve, e não um levantamento definitivo, concedendo 20 dias para que as partes encontrem uma solução.
O conflito permanece, por isso, em aberto. A Administração terá de conciliar as reivindicações dos técnicos com a situação financeira da companhia, num momento em que a própria TAAG admite limitações para novos aumentos salariais e procura implementar medidas de contenção e transformação.
O episódio deixa evidente a existência de posições divergentes entre os dois responsáveis, que parecem seguir em contramão quanto à condução do conflito laboral e à defesa dos interesses da empresa.