
A historiadora, professora universitária e investigadora cultural angolana Palmira Vicente José Tchipilica morreu este sábado, em Lisboa, Portugal, vítima de doença, mais de um ano após a morte do marido, o antigo ministro da Justiça e primeiro Provedor de Justiça de Angola, Paulo Tchipilica.
Natural do Lubango, Palmira Tchipilica era viúva de Paulo Tchipilica, jurista e antigo governante angolano, que morreu em Luanda, a 15 de Setembro de 2025, aos 85 anos, depois de ter exercido o cargo de ministro da Justiça, entre 1992 e 2004, e de primeiro Provedor de Justiça de Angola, entre 2005 e 2017.
No domínio da investigação académica, Palmira Tchipilica dedicou particular atenção à história colonial, com especial enfoque na administração portuguesa em África e nos mecanismos jurídicos e sociais que sustentaram a discriminação e as políticas de assimilação das populações africanas.
Entre os seus trabalhos, destaca-se a obra O Estatuto do Indigenato – Discriminação e Assimilação nas Colónias Portuguesas da África Continental (1875-1975), na qual analisou o enquadramento jurídico e social das populações africanas no sistema colonial português.
A investigadora publicou igualmente trabalhos sobre os ideais republicanos e o regime dos indígenas no império colonial português, incluindo um estudo sobre o período posterior à implantação da República, em 1910, realizado em co-autoria com Nuno Valério e publicado em 2012 e 2013, segundo registos bibliográficos disponíveis na plataforma Persée.
Licenciada pela Universidade Lusíada de Lisboa, em 1987, Palmira Tchipilica concluiu, em 1994, o mestrado em Ciências do Desenvolvimento, na Universidade Nova de Lisboa.
Ao longo da carreira académica, leccionou em instituições de ensino superior em Portugal e em Angola, nomeadamente na Universidade Agostinho Neto e na Universidade Católica de Angola.
A sua actividade profissional estendeu-se igualmente às áreas da cooperação e do intercâmbio internacional, tendo exercido funções de direcção neste domínio e integrado a Unidade Técnica de Coordenação da Ajuda Humanitária.
Palmira Tchipilica participou ainda em organizações da sociedade civil ligadas à promoção da mulher angolana e à representação de comunidades emigrantes, conciliando a actividade académica com o envolvimento em iniciativas de intervenção social.
Até ao momento, não foram divulgados detalhes sobre as cerimónias fúnebres.