
Trabalhadores da Empresa Provincial de Água e Saneamento (EPAS) do Moxico convocaram uma greve de 15 dias, a partir de segunda-feira, 5 de Outubro, para exigir o pagamento de 16 meses de salários e dos subsídios de Natal e de férias em atraso desde 2023.
Segundo o porta-voz dos trabalhadores, Adelino Dala, a dívida salarial ronda os 146 milhões de kwanzas, correspondentes, em média, a cerca de dois milhões de kwanzas por trabalhador, num universo de 73 funcionários.
Numa nota enviada à imprensa, os trabalhadores afirmam que a decisão foi tomada em assembleia e exigem, além da regularização dos salários e subsídios, a melhoria das condições laborais, incluindo o fornecimento de equipamentos de protecção individual.
Adelino Dala afirmou que os trabalhadores já participaram em várias negociações com a administração, mas os compromissos assumidos não terão sido cumpridos, levando o colectivo a avançar para a paralisação.
O presidente do Conselho de Administração da EPAS/Moxico, Eurico Jorge, confirmou a existência de salários em atraso e apelou aos trabalhadores para privilegiarem o diálogo, de modo a evitar uma interrupção do abastecimento de água no Luena.
O responsável disse reconhecer o direito à greve, mas questionou a legitimidade dos representantes dos trabalhadores, alegando desconhecer a realização da assembleia que terá deliberado a paralisação e afirmando não existir um núcleo sindical constituído na empresa.
Eurico Jorge disse ainda que a administração já se reuniu com os trabalhadores para procurar uma solução e atribuiu as dificuldades financeiras à baixa cobrança das facturas pelos serviços prestados.
Em Maio deste ano, o PCA tinha confirmado uma dívida de 106 milhões de kwanzas em salários e subsídios, incluindo subsídios de Natal e férias relativos a 2023 e 2024, quatro meses de salários de 2025 e o vencimento de Abril de 2026. Na altura, justificou os atrasos com a dependência das receitas cobradas aos consumidores.
Mais de 82 mil pessoas podem ser afectadas
A eventual paralisação poderá afectar o funcionamento dos sistemas de abastecimento de água no Luena e zonas periféricas, onde a EPAS assegura actualmente uma cobertura estimada em 62% e presta serviço a cerca de 82 mil habitantes.
Dados divulgados pela empresa indicam que a EPAS possui cerca de 12 mil clientes, embora o sistema esteja dimensionado para aproximadamente 24 mil consumidores. A capacidade instalada permite produzir até oito milhões de litros de água por dia através dos sistemas de captação dos rios Luena e Lumege.
A empresa tem atribuído os constrangimentos financeiros à reduzida taxa de cobrança, enquanto os trabalhadores defendem que a regularização dos salários deve constituir prioridade.
Até à publicação desta notícia, não era conhecido um acordo entre a administração e os trabalhadores que permita evitar a paralisação prevista para segunda-feira.