MPLA: Congresso da viragem – António Silva
MPLA: Congresso da viragem – António Silva
MPLA

Em nome da democracia e reconciliação partidária os camaradas são obrigados a abandonar o velho caminho da unicidade preferencial à presidência do partido e permitir que este direito assista a todos os seus militantes com capacidade elegível.

A comissão de mandatos se encarregará de receber as candidaturas que se adivinha, venham a harmonizar e unir o emblema de unidade nacional, cuja imagem e slogan ‘MPLA é o povo e o povo é MPLA’ se desgastam ‘harmoniosamente’ aos olhos dos seus decisores.

Custa explicar aos mais novos a razão da aceleração do desgaste da imagem que o MPLA ostenta brilhante, há 50 anos.

O partido nutre subversão à opressão, à ditadura e ao ódio, mas que, por congregar no seio, certos oportunistas e anti-patriotas, está condenado a pagar a factura com a reprovação à sua imagem.

São lhes apontados dedos da cumplicidade da degradação social e da economia incompreendida, que leva as famílias ao desespero, comprometendo desta forma a confiança e a crença antes depositadas, que visava servir o povo com educação sólida, saúde pública de qualidade, alimentação fresca e saudável; à empregabilidade, às carreiras e comboios de transportes, etc.

O sentimento remete os angolanos de bem à total saudosismo, hoje deitado ao vento da intensidade das más interpretações.

No Congresso de Novembro, se as portas das candidaturas múltiplas forem abertas, os seus proponentes, terão a obrigação de acautelar o escândalo do populismo que o caracteriza, sob pena de vulgarizar a disciplina e a ética que ainda restaram ao partido.

Não faz sentido que o MPLA do povo vá se degradando progressivamente aos olhos dos seus ilustres, conotados com a passividade e estratégia que venham a ressuscitar a esperança dos desavindos com as novas políticas governativas.

No seio dos camaradas deve haver alguém com coragem para contar sem tabu o ostra cismo a que destinaram a antiga Organização do Pioneiro Angolano (OPA) e a forma consentida, como ‘desapareceu’, deixando o partido órfão do seu viveiro infantil.

Devem contar também que a JMPLA, em Luanda, esteve mais preocupada com cargos de governação do que propriamente com a mobilização dos militantes jovens, o que permitiu ser ultrapassado à direita pela JURA-UNITA nas eleições legislativas de 2022.

Devem informar a razão da guerra de terrenos, sobretudo na capital, sendo Angola país enorme, que corresponde territorialmente a 14/5 à Portugal, onde invariavelmente os angolanos de todas as classes se refugiam.

Neste Congresso, para além de se vislumbrar uma discussão acérrima sobre as múltiplas candidaturas, espera-se que a questão da ineficiência da luta contra a corrupção pontifique como matriz, da recuperação de activos do Estado e não como acusam de conversa de caça ao voto.

Poderá se considerar Congresso com faixas de vitórias, pois, ajudará a desconstruir os rumores das redes sociais e outros, segundo os quais, “o partido é alérgico à democracia interna”, motivo bastante para que outros candidatos interessados à cadeira máxima do MPLA, se vejam frustrados.

A corrida oficiosa dos que almejam o cargo, já começou e os nepotistas e bajuladores dos que governam voltaram a padecer da incompetência, da inveja e medo da agressão da pobreza e desprezo.

Sabe-se que os Estatutos do MPLA, não proíbem tal pretensão, apenas por imperativo de ordem e disciplina, os seus órgãos acautelam as euforias da ansiedade.

Um Congresso tão propalado, cuja previsão indicava para 2026, ora antecipado, pode decidir e mudar muita coisa no seio das famílias, pois, por ser do partido que governa, considera-se ambivalente no que pretende atingir, assim como de elevado grau de importância histórica.

*Analista político

Siga-nos

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial
Twitter
Visit Us
Follow Me
LINKEDIN
INSTAGRAM
error: Conteúdo protegido