Oficiais do SIC e da DIIP acusados de favorecer redes de vandalismo em troca de subornos
Oficiais do SIC e da DIIP acusados de favorecer redes de vandalismo em troca de subornos
sucata LN

Diferentes efectivos do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP) estão a ser acusados de alegadamente proteger redes ligadas ao comércio ilegal de sucata e de facilitar a libertação de suspeitos detidos por vandalização de bens públicos na província da Lunda Norte, numa altura em que o Executivo reforça o combate a este tipo de criminalidade.

Fontes do Imparcial Press apontam para a existência de um alegado esquema de corrupção envolvendo responsáveis afectos aos municípios do Dundo, Lucapa e Mussungue, que estariam a beneficiar operadores do comércio de materiais ferrosos em troca de pagamentos ilícitos.

Entre os nomes citados constam o intendente Alfredo Segunda “14”, o inspector-chefe Óscar Magalhães, o 1.º subchefe Frederico Peso, o inspector Alcides Manuel Gonçalves, o inspector-chefe criminal Calado dos Santos Abreu Miguel, o inspector criminal Pedro Cassova Hugo, o sub-inspector criminal Fidel Isidoro, o agente criminal de 1.ª classe Mateus Cadete e o investigador Adilson Zuanga.

Segundo informações, estes efectivos terão contribuído para a libertação de indivíduos suspeitos de envolvimento no furto de equipamentos públicos, incluindo componentes de sistemas eléctricos e infra-estruturas habitacionais.

Um dos casos mais visíveis dos prejuízos causados pelo vandalismo é o da Centralidade do Mussungue, onde milhares de moradores continuam sem acesso aos elevadores dos edifícios devido ao furto de motores, cabos eléctricos e outros componentes.

De acordo com as fontes do Imparcial Press, mais de cinco mil famílias são obrigadas a subir diariamente até 18 andares pelas escadas, numa situação que afecta particularmente idosos, grávidas, pessoas com deficiência e crianças.

Conforme os relatos, parte significativa do material retirado dos elevadores terá sido comercializada nas empresas de sucata, sem que os autores fossem efectivamente responsabilizados. “O povo sobe a pé enquanto os vândalos continuam a circular livremente”, afirmou uma fonte próxima do processo.

Destarte, alertam que os parques fotovoltaicos actualmente em construção na Lunda Norte poderão tornar-se os próximos alvos das redes criminosas caso não haja uma intervenção urgente das autoridades.

As mesmas afirmam ainda que persistência do mercado clandestino de sucata continua a criar incentivos para o furto de equipamentos públicos, apesar da proibição nacional da actividade e das operações policiais em curso.

Um dos compradores de bens vandalizados na centralidade responde pelo nome de Nawegi David Carlos, apontado como amigo pessoal do Inspector-Chefe Óscar Magalhães e comprador de materiais ferrosos e eléctricos.

As acusações surgem num contexto de endurecimento das medidas governamentais contra o comércio de sucata. Em Janeiro deste ano, o Executivo proibiu em todo o território nacional a actividade de pesagem e comercialização de metais ferrosos e não ferrosos, revogando licenças de sucateiras, casas de pesagem, entrepostos e pontos de recolha, por considerar que estes estabelecimentos alimentavam redes de vandalização de bens públicos.

Segundo o Decreto Executivo n.º 7/26, a medida foi adoptada para travar a destruição de infra-estruturas dos sectores da electricidade, água, saneamento, transportes e telecomunicações, frequentemente alvo de furtos para posterior venda como sucata.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido