Omatapalo condiciona conclusão da Circular Externa do Lubango por falta de pagamentos do Estado
Omatapalo condiciona conclusão da Circular Externa do Lubango por falta de pagamentos do Estado
JL omatap

A construtora Omatapalo condicionou a conclusão da Circular Externa do Lubango à regularização dos pagamentos por parte do Estado, numa altura em que a empreitada, inicialmente prevista para terminar em 2024, continua atrasada devido a desembolsos irregulares e ao processo de expropriação de 17 residências situadas ao longo do traçado.

A informação foi avançada pelo chefe do Serviço Provincial de Estradas da Huíla, José Vieira, que explicou que a obra foi consignada em abril de 2022, com um prazo inicial de execução de 18 meses.

No entanto, os atrasos nos pagamentos, cuja gestão envolve os Ministérios das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação e das Finanças, inviabilizam, nesta fase, a definição de uma nova data para a conclusão da empreitada.

Segundo o responsável, a Omatapalo manifestou disponibilidade para estabelecer um calendário de conclusão assim que os desembolsos forem regularizados.

Além dos constrangimentos financeiros, a execução da obra enfrenta dificuldades relacionadas com a expropriação de 17 residências localizadas no bairro da Tchavola. As famílias deverão ser realojadas em novas habitações actualmente em construção.

“Já foram levantadas as paredes de oito das 17 casas e, enquanto não concluirmos essas habitações, não conseguimos desalojar as famílias residentes no local. A obra da circular baixou de ritmo precisamente por causa desse obstáculo”, explicou José Vieira.

Apesar dos atrasos, o responsável garantiu que a empreitada continua a registar progressos. Dos 38,7 quilómetros previstos, cerca de 35 já foram terraplanados e receberam trabalhos de impregnação, enquanto 24 quilómetros encontram-se asfaltados.

No âmbito das obras de arte, duas passagens hidráulicas (“box culverts”) já estão concluídas e duas pontes com cerca de 50 metros de extensão apresentam um grau de execução superior a 90%.

Alguns troços da via já se encontram em utilização, permitindo a ligação entre a Arimba e a zona das Três Pontes, junto à Centralidade da Quilemba, bem como ao bairro da Tchavola, contribuindo para melhorar a circulação rodoviária e a mobilidade dos moradores.

A primeira fase da Circular Externa do Lubango contempla a construção de uma estrada com 38,7 quilómetros de extensão, quatro faixas de rodagem – duas em cada sentido – separadas por um separador central, numa plataforma com 19 metros de largura.

O projecto inclui ainda a construção de seis obras de arte, entre as quais duas passagens hidráulicas, um viaduto e três pontes, além de sinalização horizontal e vertical, iluminação pública, passeios e um sistema de drenagem de águas pluviais nas zonas da Eywa e da Arimba.

Os sucessivos atrasos na execução da obra voltam a colocar em evidência o impacto dos constrangimentos financeiros do Estado na concretização de grandes projectos de infra-estruturas, com empreiteiros a condicionarem o ritmo dos trabalhos à regularização dos pagamentos devidos.

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