Onda de calor em França faz pelo menos 16 mortos
Onda de calor em França faz pelo menos 16 mortos
paris

Pelo menos 16 pessoas morreram em França desde o agravamento da onda de calor que atinge o país, incluindo 13 vítimas de afogamento registadas apenas no domingo, quando milhares de pessoas procuraram rios, lagos e praias para escapar às temperaturas extremas que ultrapassaram os 40 graus Celsius em várias regiões.

Segundo a Proteção Civil francesa, as 13 vítimas mortais afogaram-se em diferentes pontos do país enquanto tentavam aliviar os efeitos do calor intenso.

As autoridades alertaram para os riscos associados à procura de locais de banho não vigiados ou sem condições de segurança.

Além dos afogamentos, as autoridades sanitárias confirmaram a morte de pelo menos três idosos devido a complicações relacionadas com as elevadas temperaturas, sobretudo na região de Bordéus, uma das mais afetadas pela atual vaga de calor.

A situação levou o Governo francês a colocar 49 departamentos em alerta vermelho, o nível máximo de vigilância meteorológica, abrangendo cerca de 35 milhões de pessoas.

Em Bordéus, os termómetros atingiram os 42 graus Celsius, enquanto outras cidades, incluindo Toulouse, Limoges e Paris, registaram temperaturas muito acima da média para o mês de junho.

Perante o agravamento das condições climáticas, cerca de 2.700 escolas encerraram ou adaptaram os seus horários de funcionamento, numa tentativa de proteger alunos e funcionários dos efeitos da canícula.

“Estamos a caminhar para vários dias de calor extremo e ainda não sabemos quando as temperaturas começarão a descer”, advertiu a ministra francesa da Saúde, Stéphanie Rist.

Calor mais precoce e intenso do que em 2025

A atual onda de calor surge poucas semanas depois de França ter registado, entre o final de maio e o início de junho, um episódio considerado pelas autoridades de saúde como “histórico e excecional” para a época do ano.

O fenómeno afetou cerca de 26% da população francesa e provocou um aumento acentuado das urgências hospitalares por hipertermia, desidratação e golpes de calor.

Dados da Santé Publique France mostram que, durante essa primeira vaga de calor de 2026, os serviços de emergência registaram mais de 400 atendimentos diários relacionados com o calor, números próximos dos picos observados durante os episódios mais severos dos últimos anos.

Comparativamente a 2025, quando a principal onda de calor ocorreu apenas entre 19 de junho e 6 de julho, as temperaturas extremas deste ano chegaram mais cedo e com maior intensidade, aumentando a pressão sobre os serviços de saúde e proteção civil.

As autoridades francesas recordam que os episódios de calor extremo têm vindo a tornar-se mais frequentes. Segundo dados oficiais, mais de 11.700 mortes foram atribuídas às ondas de calor registadas em França entre 2017 e 2025, enquanto o número total de óbitos relacionados com o calor ultrapassa os 40 mil durante o período de monitorização.

Especialistas apontam as alterações climáticas como um dos principais fatores para a intensificação destes fenómenos meteorológicos, alertando que as ondas de calor deverão tornar-se mais longas, frequentes e severas nas próximas décadas.

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