Operação contra garimpo ilegal de ouro no Bengo termina com 331 detenções
Operação contra garimpo ilegal de ouro no Bengo termina com 331 detenções
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A primeira fase da operação policial “Fio de Ouro II”, iniciada a 22 de Maio na província do Bengo para combater a exploração ilegal de ouro, terminou esta segunda-feira com a detenção de 331 pessoas, entre as quais 45 cidadãos estrangeiros, anunciou a Polícia Nacional.

O balanço da operação foi apresentado durante uma formatura orientada pelo comandante provincial da Polícia Nacional no Bengo e delegado do Ministério do Interior, comissário Delfim Kalulu Inácio, que destacou os resultados alcançados pelas forças policiais.

Segundo o segundo comandante provincial da Polícia Nacional, subcomissário Fernando Ukuahamba, a operação permitiu desmantelar oito áreas de exploração ilegal de ouro localizadas nos municípios do Ambriz, Muxaluando e Nambuangongo.

Durante as acções foram ainda apreendidos diversos meios utilizados na actividade de garimpo, incluindo seis rádios de comunicação, uma arma de fogo artesanal do tipo caçadeira, três viaturas, 529 mil kwanzas em numerário e vários equipamentos de apoio à extracção ilegal de minério.

O responsável anunciou igualmente o arranque da segunda fase da operação “Fio de Ouro II”, que contará com recursos tecnológicos reforçados para intensificar o combate à exploração ilegal de ouro na província.

Fernando Ukuahamba assegurou que a Polícia Nacional continuará a desenvolver acções de fiscalização e repressão com o objectivo de desencorajar a actividade garimpeira ilegal e reforçar a protecção dos recursos minerais do Estado.

A exploração ilegal de ouro tem sido apontada pelas autoridades como um fenómeno com impactos económicos, sociais, ambientais e de segurança, associado ao aumento da imigração ilegal, ao contrabando e à pressão sobre os serviços públicos.

A operação policial decorreu numa altura em que a exploração ilegal de ouro voltou a estar no centro das atenções, na sequência da tragédia registada no município de Nambuangongo, considerada uma das mais graves ocorrências ligadas ao garimpo artesanal na província do Bengo.

O acidente ocorreu numa zona de exploração ilegal de ouro na comuna de Canacassala, quando um deslizamento de terras provocou o colapso de uma mina artesanal onde dezenas de garimpeiros se encontravam a trabalhar. O balanço inicial apontava para 29 mortos, mas as operações de busca permitiram posteriormente a recuperação de mais cinco corpos, elevando para 34 o número de vítimas mortais.

As autoridades admitem, no entanto, que o número de mortos possa ser superior, uma vez que sobreviventes relataram que mais de 40 pessoas se encontravam no local no momento do desabamento. As equipas do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, da Polícia Nacional e do Serviço de Investigação Criminal mantiveram operações de busca durante vários dias para localizar eventuais vítimas soterradas.

A tragédia expôs novamente os riscos associados à exploração mineira clandestina, actividade que continua a atrair centenas de pessoas em busca de sustento, apesar da ausência de condições de segurança e da proibição legal da extracção de ouro fora dos perímetros autorizados pelo Estado.

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