
O Partido Pacífico Angolano (PPA), integrante da coligação CASA-CE, anunciou a realização do seu IV Congresso Ordinário para Dezembro de 2025, um evento que marcará o fim da liderança de Felé António e abrirá espaço à renovação geracional no seio da formação política.
A decisão foi tornada pública no último sábado, durante a 1.ª Reunião Ordinária do Comité Central do partido, realizada em Luanda, sob orientação do presidente Felé António e encerrada com a leitura do comunicado final pelo secretário-geral, Eduardo Garcia.
No encontro, Felé António confirmou que não se recandidatará à presidência do partido, decisão acolhida “com respeito e reconhecimento pelo contributo patriótico e político” do dirigente, segundo o comunicado final enviado à redacção do Imparcial Press.
O Comité Central aprovou os documentos reitores que orientarão o congresso e criou uma Comissão Organizadora encarregada de garantir “imparcialidade, transparência e conformidade estatutária” em todo o processo eleitoral interno.
O congresso de Dezembro é descrito como o “momento máximo de expressão democrática e de renovação das estruturas dirigentes” do PPA.
A reunião analisou igualmente o cenário político e social do país, tendo o partido manifestado “profunda preocupação pelo estado deplorável em que o país se encontra”, responsabilizando as políticas públicas “mal concebidas” pela degradação das condições de vida, aumento da pobreza e perda de confiança nas instituições.
O PPA apelou ao Executivo para adotar uma postura de diálogo inclusivo e concertação nacional, envolvendo todas as sensibilidades políticas e sociais.
“A estagnação nacional só será superada com diálogo, inclusão e compromisso com o bem comum”, sublinha o comunicado.
Com a saída de Felé António, um dos fundadores do partido e figura central da coligação CASA-CE, abre-se agora espaço para uma nova geração de dirigentes.
O processo de sucessão poderá redefinir o posicionamento estratégico do PPA e influenciar os equilíbrios internos da CASA-CE, que enfrenta o desafio de revitalizar a sua influência no actual panorama político dominado pelo MPLA e pela UNITA.
O congresso de Dezembro será, assim, um momento decisivo para o futuro do partido e da própria coligação, podendo assinalar o início de um novo ciclo na oposição angolana.