Polícia detém alegado líder do garimpo ilegal de ouro no Dongo
Polícia detém alegado líder do garimpo ilegal de ouro no Dongo
divaldo martins

A Polícia Nacional na província da Huíla deteve, no município da Matala, um homem apontado pelas autoridades como um dos principais líderes da exploração ilegal de ouro na região do Dongo, identificado como Domingos Henriques João, conhecido por “Avex”, antigo efectivo das Forças Armadas Angolanas (FAA) e da própria Polícia Nacional.

Segundo o comandante provincial da Polícia Nacional na Huíla, comissário Divaldo Martins, o suspeito foi detido no domingo no âmbito da operação “Quebra-Mola”, desencadeada para combater o garimpo ilegal e redes criminosas associadas à exploração clandestina de minerais.

O responsável policial afirmou que Domingos Henriques João é acusado dos crimes de posse ilegal de arma de fogo, extorsão, associação criminosa e exploração ilícita de recursos minerais.

De acordo com as autoridades, “Avex” liderava um grupo composto por mais de 40 elementos que actuava principalmente na zona de Liapupa, no município do Dongo, uma das áreas identificadas pelas forças de segurança como foco de exploração ilegal de ouro.

A Polícia sustenta que, para além da actividade de garimpo, desenvolveu-se na região uma rede de extorsão de mineiros artesanais, alegadamente controlada por grupos armados ilegais conhecidos localmente como “placas”, que obrigavam os garimpeiros a pagar tributos para operar nas zonas de extracção.

As autoridades apontam “Avex” como líder da principal dessas organizações criminosas.

A detenção ocorre uma semana após a captura de um outro suspeito identificado como Yamunene, cantor conhecido no município da Matala, igualmente acusado de associação criminosa, posse ilegal de armas e envolvimento no garimpo ilegal.

No passado dia 2 de Maio, a Polícia Nacional anunciou a desactivação das principais zonas de exploração ilegal de ouro no município do Dongo, após uma operação que culminou na expulsão de cerca de 200 garimpeiros remanescentes.

A operação contou com cerca de 200 efectivos, incluindo agentes da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), Serviço de Investigação Criminal (SIC), Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) e Departamento de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP).

As acções concentraram-se sobretudo nas aldeias de Liapupa e Kahali, identificadas como os principais centros da exploração clandestina de ouro na região.

A província da Huíla é considerada um dos principais pólos mineiros de Angola, contando actualmente com mais de 185 concessões mineiras activas, sobretudo nas áreas de exploração de rochas ornamentais, ouro, ferro e prospecção de nióbio.

Dados do sector mineiro indicam, contudo, que mais de metade dos 225 títulos mineiros existentes na província permanecem apenas na fase de prospecção, situação que limita o aproveitamento efectivo do potencial geológico da região e reduz o impacto económico e social esperado da actividade extractiva.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido