Porto do Lobito: PCA e administradores ganham quase 13 milhões de kwanzas – Funcionários de base recebem apenas 121 mil kwanzas
Porto do Lobito: PCA e administradores ganham quase 13 milhões de kwanzas - Funcionários de base recebem apenas 121 mil kwanzas
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O presidente do Conselho de Administração do Porto do Lobito, Celso Rodrigues de Lemos Rosas, surge com um salário mensal de 12.765.300 kwanzas, enquanto dois administradores executivos auferem 12.255.000 kwanzas cada, segundo uma tabela salarial em posse do Imparcial Press, que está a provocar forte contestação entre os funcionários da empresa.

A mesma documentação indica que os administradores não executivos José António de Freitas Neto e António Capewa Calonguila recebem 6.157.500 kwanzas mensais cada, enquanto os 21 directores do Porto do Lobito terão uma remuneração de 1.267.034,76 kwanzas por mês.

A estrutura remuneratória inclui ainda dois assessores do PCA com salários superiores a 1,3 milhão de kwanzas e uma assessora com vencimento de 1.502.158,32 kwanzas.

Os valores contrastam com os salários auferidos pela maioria dos trabalhadores, que, segundo fontes laborais, variam entre 121 mil e 150 mil kwanzas mensais, alimentando críticas sobre uma alegada disparidade salarial dentro da empresa portuária.

A polémica surge num contexto de sucessivas reivindicações dos trabalhadores por aumentos salariais e melhores condições de trabalho.

Os funcionários questionam como uma empresa que, segundo alegam, tem invocado dificuldades de liquidez para responder às reivindicações da classe trabalhadora pode, ao mesmo tempo, apresentar uma estrutura remuneratória com vencimentos superiores a 12 milhões de kwanzas para os membros da administração.

Uma das principais dúvidas levantadas pelos trabalhadores prende-se precisamente com a aprovação da tabela. O Porto do Lobito tem anunciado a preparação e implementação de instrumentos de gestão de recursos humanos, entre os quais o Qualificador Ocupacional, o Regulamento Remuneratório e o Regulamento de Carreiras, destinados a organizar as funções e respectivas remunerações.

A existência de uma tabela com salários superiores a 12 milhões de kwanzas poderá colocar questões sobre os critérios utilizados para determinar as remunerações da administração e dos diferentes níveis hierárquicos.

A situação ganha particular relevância porque o Porto do Lobito é uma empresa pública de importância estratégica para a economia nacional, integrada numa das principais plataformas logísticas de Angola e com papel central no desenvolvimento do Corredor do Lobito.

Os trabalhadores alegam que as diferenças salariais têm contribuído para um ambiente de desmotivação e tensão laboral.

Conforme relatos recolhidos, funcionários que asseguram actividades operacionais e técnicas, muitas vezes em regime de turnos e durante períodos prolongados, consideram desproporcional a diferença entre os seus vencimentos e os valores atribuídos aos níveis superiores da empresa.

O descontentamento agravou-se depois de os trabalhadores tomarem conhecimento dos valores constantes da alegada tabela. Fontes laborais afirmam que o PCA e membros da administração terão recebido os novos valores durante os meses de Março e Abril de 2026, antes de os montantes terem sido posteriormente reduzidos.

A administração do Porto do Lobito tem defendido publicamente a necessidade de diálogo com os trabalhadores. Num fórum de auscultação realizado a 14 de Agosto, na Casa do Pessoal, o PCA Celso Rosas destacou a importância da participação dos funcionários na gestão da empresa e da criação de condições para uma maior produtividade.

O encontro, contudo, ficou marcado, segundo trabalhadores ouvidos pelo Imparcial Press, por novas reclamações relacionadas com salários.

Os funcionários voltaram a questionar a ausência de uma actualização geral das remunerações, numa altura em que circulam documentos que apontam para aumentos expressivos nos níveis superiores da estrutura empresarial.

Em Outubro de 2024, a administração do Porto do Lobito e a Comissão Sindical assinaram um Acordo Colectivo de Trabalho que previa, entre outros benefícios, um aumento de 16% no salário básico, melhorias nos subsídios de transporte e alimentação e a implementação de um seguro de saúde.

Em Junho deste ano, a Comissão Sindical voltou a destacar como conquistas a implementação de um fundo de pensões e o aumento de 50 mil kwanzas no cartão de cesta básica, resultados alcançados através de negociações com a administração.

Apesar desses avanços, continuam a existir reivindicações sobre a estrutura salarial e as condições de trabalho. A situação é agravada, segundo fontes sindicais, pela percepção de que os benefícios obtidos pelos trabalhadores não acompanham a evolução das remunerações atribuídas à administração e às chefias superiores.

A diferença entre os salários também é particularmente expressiva quando comparados os extremos da estrutura. O valor atribuído ao PCA, de 12.765.300 kwanzas, é mais de 100 vezes superior aos 121 mil kwanzas apontados como salário de alguns trabalhadores.

Já a remuneração indicada para os directores, de 1.267.034,76 kwanzas, corresponde a mais de dez vezes o vencimento de um trabalhador que aufira 121 mil kwanzas.

Para os trabalhadores, a questão deixou de ser apenas salarial e passou a envolver transparência e critérios de gestão. O sindicato e funcionários defendem que a administração esclareça quem aprovou a nova tabela, quais os critérios utilizados e se os valores chegaram efectivamente a ser pagos.

Também reclamam a realização de auditorias e uma intervenção das entidades competentes para avaliar a gestão dos recursos humanos e a política remuneratória da empresa.

A administração do Porto do Lobito tem, paralelamente, avançado com medidas de modernização da sua estrutura. Em Janeiro, foram reinauguradas as instalações da Direcção dos Recursos Humanos, numa iniciativa apresentada como parte do esforço para melhorar a gestão do pessoal e as condições de trabalho.

Em Março, Celso Rosas foi reconduzido como PCA do Porto do Lobito, tendo o novo Conselho de Administração recebido como missão reforçar a competitividade, eficiência e sustentabilidade da empresa.

A discussão salarial surge, assim, num momento de transformação da empresa e de crescente importância do Porto do Lobito no quadro do Corredor do Lobito, tornando a estabilidade das relações laborais um factor relevante para o desempenho da infra-estrutura.

Agora, os trabalhadores continuam a exigir uma revisão das remunerações e maior equilíbrio na distribuição dos benefícios.

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