
A possível confirmação de que o Grupo Carrinho está em conversações avançadas para uma eventual fusão com os bancos comerciais que operam em Angola, com destaque ao BCI, Keve e BFA, conforme a manchete do jornal Expansão, na sua última edição, não devia surpreender quem acompanha com atenção o rumo da banca angolana nos últimos anos.
Num contexto em que a consolidação deixou de ser excepção para se tornar quase regra, é, obviamente, natural que um grupo com esta dimensão procure reforçar a sua posição num sector cada vez mais competitivo.
Ora, o mais relevante do que o facto em si é o sinal que ele estará a enviar: o mercado financeiro angolano está a amadurecer e as fusões, longe de serem sinónimo de fraqueza, podem representar exactamente o contrário- à busca pela solidez, escala e capacidade de resposta às exigências regulatórias do BNA.
Ainda assim, é preciso olhar para estes movimentos com os pés assentes na realidade económica do país: se o negócio com o BPI for uma realidade nos próximos dias, estaremos, como é óbvio, perante um dos maiores realinhamentos do sector petrolífero e financeiro dos últimos tempos, e isso exige transparência total, sobretudo para garantir que a concentração de poder económico não se traduza em menos concorrência e piores condições para o cidadão comum e o pequeno empreendedor.
No entanto, o que esperamos, fim ao cabo, enquanto especialista que trabalha diariamente com formação e capacitação de empreendedores neste país, é que este tipo de movimento sirva de lição prática sobre planeamento estratégico e visão de longo prazo.
O Grupo Carrinho não está simplesmente a reagir a uma conjuntura; está, aparentemente, a antecipar-se a ela. É essa mentalidade de análise, de parcerias bem pensadas e de crescimento sustentado que precisamos de incutir também nos pequenos e médios negócios angolanos.
Portanto, as grandes fusões fazem manchetes, mas os princípios que as sustentam, quando bem compreendidos, podem inspirar decisões muito mais modestas e, igualmente, decisivas no quotidiano de quem empreende em Angola.
*Economista e analista social