
O anúncio da abertura de uma nova representação do Grupo de Líderes Empresariais (LIDE) em Angola, feito este sábado em São Paulo, no Brasil, está a suscitar interrogações no meio empresarial angolano, por ocorrer em menos de duas semanas depois do encerramento formal do LIDE Angola, unidade criada em 2013, na sequência do rompimento do vínculo com o LIDE Brasil.
A decisão, tornada pública este sábado em São Paulo, no Brasil, dá conta da nomeação do empresário angolano Venceslau Andrade para presidir ao LIDE Angola, com o objectivo de reforçar a cooperação económica entre Angola e o Brasil e dinamizar sectores considerados estratégicos, como mineração, petróleo e gás, turismo, inteligência artificial e segurança alimentar.
O director executivo global do LIDE, João Doria Neto, citado na nota, afirmou que a expansão para Angola se insere na estratégia de internacionalização da organização, considerando que o país apresenta uma agenda relevante de desenvolvimento e potencial para uma aproximação económica mais efectiva entre os dois países.
No entanto, fontes do Imparcial Press levantam preocupações quanto a um possível conflito de interesses e à falta de clareza institucional no grupo, sublinhando que o anúncio surge em menos de duas semanas depois do encerramento formal do LIDE Angola, na sequência do término do vínculo com o LIDE Brasil.
Em comunicado divulgado a 19 de Janeiro, o então responsável da unidade angolana, Filipe Lemos, explicou que o encerramento resultou da decisão do LIDE Brasil de alterar o modelo de relacionamento com as representações internacionais, passando para um regime de franchising.
Segundo o documento, esse modelo revelou-se inviável no contexto macroeconómico angolano, após um longo período de negociações sem consenso.
O mesmo comunicado esclareceu que qualquer eventual nova franquia do LIDE em Angola não teria ligação institucional com a unidade criada em 2013, tendo sido determinada a desactivação imediata de todos os canais e plataformas digitais da antiga representação.
É precisamente esta sucessão de encerramentos, reformulações e reaparecimentos sob novas lideranças que alimenta críticas sobre a falta de estabilidade do projecto em Angola.
Analistas consideram que a repetição de ciclos de abertura e fecho pode contribuir para um ambiente de incerteza permanente, pouco favorável à confiança do empresariado nacional e estrangeiro.
“O risco é transformar o LIDE num projecto de presença intermitente, marcado por conflitos de interesse, disputas de marca e agendas pouco transparentes, em vez de uma plataforma sólida de cooperação empresarial”, referiu uma fonte próxima do sector privado.
Fontes do Imparcial Press questionam se a nova estrutura agora anunciada resulta de um processo transparente e consensual ou se representa apenas a substituição de actores, mantendo intactas as disputas internas.
Para analistas ouvidos pelo jornal, o cenário aponta para sinais de um conflito latente, em que a marca LIDE é reposicionada sem esclarecimento público suficiente sobre os termos legais, financeiros e institucionais que sustentam a nova operação em Angola.
“A questão central não é a presença do LIDE em Angola, mas sim a forma como se encerra uma estrutura e, quase de imediato, se anuncia outra, sem que sejam esclarecidas as razões profundas do rompimento anterior. Isso fragiliza a credibilidade da iniciativa”, referiu uma fonte do sector empresarial.
O LIDE, fundado em 2003 pelo ex-prefeito e ex-governador de São Paulo João Doria Jr., apresenta-se como uma organização dedicada à promoção da livre iniciativa, da governação corporativa e do desenvolvimento económico e social, estando presente nos cinco continentes.