
As Comissões Sindicais da Empresa Provincial de Águas e Saneamento de Benguela (EPASB-EP) criticaram duramente o actual Conselho de Administração da empresa pública, acusando a nova gestão de falta de rigor financeiro e de adoptar práticas consideradas incompatíveis com a grave situação económica enfrentada pela instituição e pelos trabalhadores.
Num comunicado tornado público, os representantes sindicais contestam o recente esclarecimento apresentado pela administração da EPASB-EP, defendendo que o actual momento exige “responsabilidade administrativa, rigor na gestão financeira e contenção efectiva de custos”.
Entre as principais críticas está a alegada utilização de viaturas alugadas por parte do actual Conselho de Administração, enquanto antigos gestores exonerados continuariam na posse de viaturas pertencentes à empresa.
Segundo as comissões sindicais, o aluguer diário de viaturas de gama alta, como Toyota Land Cruiser V8 VX e Lexus, poderá representar despesas entre 250 mil e 300 mil kwanzas por dia, numa altura em que a empresa enfrenta dificuldades financeiras e trabalhadores denunciam atrasos salariais referentes ao mês de Abril.
“Como justificar despesas elevadas com aluguer de viaturas enquanto existem funcionários sem salários e a empresa possui meios próprios?”, questionam os representantes dos trabalhadores.
Os sindicatos defendem que a prioridade da gestão deveria centrar-se no pagamento de salários, recuperação operacional da empresa, contenção rigorosa de despesas e preservação do património público.
O comunicado responsabiliza igualmente o anterior Conselho de Administração pela actual situação financeira e patrimonial da EPASB-EP, alegando que relatórios de auditoria, inquéritos internos e denúncias apresentadas junto da Procuradoria-Geral da República evidenciam um cenário de “degradação financeira e patrimonial extremamente preocupante”.
As comissões sindicais apelam ainda aos antigos gestores Filipe Mazebo e Rodino David para procederem à devolução imediata de viaturas e outros bens pertencentes à empresa.
Os trabalhadores destacam que a antiga administradora Yara Ferreira já terá devolvido a viatura que lhe estava afecta, considerando que os restantes ex-gestores devem adoptar “a mesma postura institucional e responsável”.
O comunicado menciona ainda alegadas perdas patrimoniais graves, incluindo o desaparecimento de uma viatura Toyota Land Cruiser V8 preta, que, segundo os sindicatos, terá sido levada para Luanda por uma antiga responsável administrativa e financeira sem que tenha sido recuperada até ao momento.
Apesar das críticas, os representantes sindicais afirmam defender a estabilidade institucional da EPASB-EP, mas sublinham que esta não pode ser construída “à custa do silêncio dos trabalhadores” perante situações que levantam preocupações sobre gestão financeira, utilização de recursos públicos e prioridades administrativas.
As comissões sindicais exigem que o actual Conselho de Administração adopte medidas concretas de contenção de custos, utilize prioritariamente os meios próprios da empresa, resolva os problemas salariais e promova uma gestão “transparente e responsável”.