
O Tribunal da Comarca do Lubango iniciou esta quinta-feira o julgamento de Nelson Fernando Sampaio, conhecido por “profeta Israel”, líder da congregação religiosa Amor e Compaixão, acusado de crimes de abuso sexual contra seis jovens da mesma família, que à data dos factos tinham entre 15 e 16 anos.
O arguido, de 53 anos, foi detido no início deste ano, no âmbito de um processo que abrange alegados abusos ocorridos entre 2022 e 2025 contra membros do ministério de louvor da congregação.
A sessão de abertura do processo n.º 702/2026-D estava inicialmente prevista para quarta-feira, mas foi adiada para o dia seguinte, devido à ausência do arguido, alegadamente por não ter sido notificado para comparecer em tribunal.
O julgamento, presidido pelo juiz Agnaldo Bartolomeu, decorre com acesso limitado ao público e à imprensa, por estar relacionado com crimes contra a liberdade e autodeterminação sexual. A acusação é representada pela magistrada Sydney Siculino.
Durante o interrogatório, na fase de produção de prova, profeta Israel admitiu conhecer as seis ofendidas, mas afirmou não se recordar do período em que começaram a frequentar a congregação.
O líder religioso negou ter mantido relações sexuais com as jovens, embora tenha reconhecido que esteve a sós com elas em várias ocasiões, tanto no seu gabinete, nas instalações da congregação, como numa zona de mato onde o templo estava instalado.
Questionado sobre o conteúdo desses encontros, disse que conversavam sobre diferentes assuntos para procurar resolver os problemas apresentados pelas jovens. Acrescentou que a relação entre ambos não se limitava à de pastor e fiéis, descrevendo-a como sendo de “pai para filhas”.
Quanto às acusações, o arguido considerou-as falsas e alegou estar a ser alvo de perseguição por parte de outros líderes religiosos, políticos e empresários da região, que, segundo afirmou, pretenderiam afastá-lo por motivos espirituais.
Nelson Sampaio disse ainda que conduzia um programa religioso numa estação de rádio local, no qual abordava práticas que considerava contrárias aos ensinamentos bíblicos. Afirmou que essa postura lhe teria valido mais de dez episódios de envenenamento.
A audiência prossegue com a audição das seis ofendidas, tendo a imprensa sido convidada a abandonar a sala durante esta fase do julgamento.
Para sexta-feira está prevista a inquirição das testemunhas e dos declarantes arrolados no processo.