Uíge: Moradores do Largo do Bar Jardim denunciam descaracterização de espaço pelo governo provincial
Uíge: Moradores do Largo do Bar Jardim denunciam descaracterização de espaço pelo governo provincial
GP uige

Os residentes do Largo do Bar Jardim, no bairro Mbemba Ngango, província do Uíge, apresentaram uma queixa formal à Provedora de Justiça, alegando que a requalificação do espaço público pelo Governo Provincial do Uíge e pela Administração Municipal resultou na descaracterização de um património histórico e trouxe impactos negativos para a comunidade.

Segundo os denunciantes, o Largo do Bar Jardim, construído durante o período colonial, era um espaço de lazer e convivência, conhecido pelas suas áreas verdes, árvores antigas e equipamentos recreativos, como baloiços e carrosséis.

Estas infra-estruturas foram eliminadas durante o processo de requalificação, que transformou o local num espaço com alpendres, roulottes de bebidas alcoólicas, barracas e um palco para espetáculos, gerando queixas de poluição sonora, insegurança e degradação ambiental.

De acordo com a carta enviada à Provedora de Justiça, em posse do Imparcial Press, o local foi convertido num ponto de consumo excessivo de bebidas alcoólicas, delinquência e prostituição, prejudicando a qualidade de vida dos moradores.

A situação tornou-se ainda mais grave com o acúmulo de lixo, incluindo garrafas partidas, preservativos usados e resíduos espalhados pelos passeios.

Os moradores afirmam que as crianças e os idosos são os mais afectados. “As nossas crianças são obrigadas a vivenciar uma triste realidade, enquanto as pessoas idosas e doentes enfrentam dificuldade para descansar devido ao barulho constante, que se intensifica nos fins de semana”, lamentam.

Os munícipes denunciam que o processo de requalificação ocorreu sem consulta prévia à comunidade, ignorando tanto a comissão de moradores como as autoridades tradicionais.

Esta falta de diálogo, afirmam, violou princípios consagrados no Código do Procedimento Administrativo (Lei n.º 31/22, de 30 de agosto), como o princípio da imparcialidade, da boa-fé e da audiência prévia.

Reclamações formais apresentadas à Administração Municipal do Uíge, em Fevereiro de 2023, e um recurso ao Governador Provincial, em Março do mesmo ano, não obtiveram resposta. Um apelo posterior enviado à 10.ª Comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Nacional, em Maio, também ficou sem retorno.

Os moradores consideram que a requalificação favoreceu interesses privados em detrimento do bem comum, ignorando o valor histórico e cultural do Largo do Bar Jardim.

“Não é missão do Estado promover ações que incentivem a imoralidade ou a promiscuidade, mas sim preservar patrimónios públicos para benefício de todos”, destacam na queixa.

Na queixa, os residentes pedem uma requalificação que respeite o significado histórico e o papel social do Largo do Bar Jardim, propondo a recuperação das áreas verdes, espaços recreativos e zonas desportivas.

“Queremos um espaço que acolha crianças, jovens e adultos, onde possamos desfrutar da natureza e do ambiente familiar, como acontecia no passado”, afirmam.

O objectivo, segundo os moradores, é restabelecer o Largo do Bar Jardim como um símbolo de convivência e lazer para a comunidade, num ambiente que promova os valores cívicos e culturais exortados pelo Presidente da República.

Os munícipes apelam à Provedora de Justiça para que averigue os actos administrativos associados à requalificação e assegure a reposição da legalidade.

“Confiamos na intervenção de Vossa Excelência para que o Largo do Bar Jardim volte a ser um espaço digno e inclusivo para todos os cidadãos do Uíge”, concluem.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido