UNITA apresenta queixa-crime contra chefias policiais e governador do Uíge
UNITA apresenta queixa-crime contra chefias policiais e governador do Uíge
PN unita

A UNITA anunciou ontem, quinta-feira, 20 de Agosto, ter apresentado uma queixa-crime contra chefias da Polícia Nacional e o governador do Uíge, José Carvalho da Rocha, na sequência dos incidentes registados a 8 de Agosto, que o maior partido da oposição classifica como um ataque contra os seus militantes.

O anúncio foi feito pela vice-presidente da UNITA, Arlete Chimbinda, durante uma conferência de imprensa em que apresentou o ponto de situação sobre os acontecimentos e as medidas adoptadas pelo partido na sequência da violência registada durante uma actividade política na província.

Segundo a dirigente, a actuação da Polícia Nacional revelou um comportamento que considera “parcial, cúmplice e colaborativo” na perturbação do ambiente democrático, em violação dos princípios da legalidade, imparcialidade e actuação republicana que devem orientar as forças de segurança.

Arlete Chimbinda afirmou que, durante a preparação do acto político, foram registadas tentativas de impedir a realização do comício por parte de apoiantes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder.

De acordo com a dirigente, terão sido realizadas actividades com música, inclusive no interior de hotéis onde se encontravam hospedadas várias delegações da UNITA.

A vice-presidente da UNITA afirmou existirem “fortes indícios e provas de premeditação e de provocação” contra o partido e acusou cidadãos que acumulam funções partidárias e administrativas de terem instrumentalizado a Polícia Nacional.

A dirigente rejeitou a versão de que os acontecimentos tenham resultado de um confronto entre militantes da UNITA e efectivos da Polícia Nacional.

“No Uíge não houve qualquer confronto. A UNITA foi atacada e os seus membros, que se encontravam indefesos, ficaram feridos”, afirmou Arlete Chimbinda, acrescentando que, entre as pessoas atingidas, estavam mulheres e crianças que, segundo a sua versão, se encontravam a cantar e a dançar.

A UNITA afirma ter comunicado os incidentes aos mecanismos das Nações Unidas, acompanhando a denúncia com elementos que considera serem provas dos acontecimentos.

O partido avançou igualmente com um processo relacionado com a alegada invasão do Secretariado Provincial da UNITA no Uíge, que, segundo Arlete Chimbinda, terá ocorrido sem a apresentação de um mandado judicial.

A dirigente revelou ainda que o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, contactou a Presidência da República para dar conta da gravidade dos acontecimentos e solicitar a intervenção perante a actuação das forças policiais.

Conforme Arlete Chimbinda, não houve, até ao momento, uma resposta da Presidência da República. A dirigente considerou que esse silêncio pode contribuir para a continuidade de práticas que o partido classifica como intolerância política.

A UNITA exige agora celeridade na tramitação dos processos judiciais instaurados contra as chefias policiais que, segundo o partido, terão comandado as operações que resultaram nos incidentes de 8 de Agosto.

“A UNITA não aceitará que as províncias sejam tratadas como feudos, cujo senhorio pertença ao partido no poder”, afirmou Arlete Chimbinda.

As acusações apresentadas pela UNITA deverão agora ser apreciadas pelas autoridades judiciais competentes, que terão de determinar eventuais responsabilidades pelos acontecimentos denunciados.

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