Candidatos não admitidos no último concurso da Educação ameaçam manifestar todos os sábados – SINPROF apela flexibilidade
Candidatos não admitidos no último concurso da Educação ameaçam manifestar todos os sábados – SINPROF apela flexibilidade
maf

Centenas de candidatos não admitidos no último concurso público de ingresso ao sector da Educação 2023/2024, em toda extensão do território nacional, ameaçam manifestar-se todos os sábados para exigir uma segunda chamada ou enquadramento directo de todos os “positivistas”.

Sob o lema “Com Positiva Não se Reprova”, os contestatários alegam ter as condições criadas para a realização da propalada manifestação que visa, segundo os mesmos, pressionar o governo – na pessoa da ministra da Educação, Luísa Grilo –, a pautar por uma segunda chamada ou mesmo um enquadramento directo, conforme acontece com outros ministérios, com maior destaque ao da Saúde.

Segundo António Costa e Jacinta Osvaldo, supostos co-responsáveis da iniciativa e candidatos não admitidos por razões já descritas, que falavam em exclusivo ao Imparcial Press em nome de todos, mostraram-se cépticos com informação segundo a qual o governo pretende realizar ainda este ano um novo concurso público para a admissão de novos professores.

A província de Luanda, à guisa de exemplo, de acordo com o governo, prosseguem os reclamantes, precisa de mais 50 mil novos professores para fazerem face aos actuais desafios do sector.

“Não vemos razões para se realizar um novo concurso público no sector, uma vez existir muitos candidatos com positivas não admitidos por insuficiência de vagas. Aliás, mais do que ser dispendioso no cofre do Estado, no entanto, seria uma das formas mais eficazes de simplificar os problemas do referido sector”, disseram.

Sabino Gaspar e Tamara de Brito, candidatos igualmente não admitidos por alegada insuficiência de vaga na especialidade de Língua Portuguesa no município de Ambriz, circunscrição provincial do famoso “Jacaré Bangão”, Bengo, procuraram apelar ao bom senso da titular da pasta [Luísa Grilo], no sentido de rever a situação dos candidatos que pedem diária e constantemente por uma segunda chamada senão mesmo um enquadramento directo.

“Apelámos simplesmente à senhora ministra, nós, candidatos não admitidos por insuficiência de vaga, em todo o país, no sentido de rever nossa situação e condição; pois não é fácil obter uma nota positiva em concursos públicos. Senhora ministra, nossa mãe, por favor, resolva, à semelhança da tia Sílvia Lutukuta, nossa condição. Nós temos famílias, senhora Luísa Grilo, precisamos apenas de uma oportunidade para trabalhar”, exortaram.

Na ocasião, a redação do Imparcial Press ouviu o Secretário-geral do Sindicato dos Professores do ensino geral, Aldemar Ginguma, que embora reconheça existir um grande défice de professores a nível do país, entretanto disse não ser uma obrigatoriedade legal a ministra enquadrar todos os candidatos que obtiveram positivas, mas podem efectivamente reclamar da falta de transparência que tem havido nesses concursos públicos.

“O SINPROF não apoia manifestações que não tenham qualquer respaldo legal, entretanto podemos encorajar e apoiar que os candidatos – nossos colegas/professores – que reclamam da falta de transparência que tem havido nesses processos. À guisa de exemplo, vimos a anulação do concurso público no Cuanza Norte por causa da falta de transparência que culminou com a exoneração do Director do Gabinete provincial da Educação e do próprio Governador.

Portanto, são essas irregularidades que deviam servir de base para a reclamação dos nossos colegas/candidatos e não por não serem admitidos com positivas. Aliás, por altura das inscrições, os candidatos tinham conhecimento do número de vagas disponíveis por disciplina; logo não faz sentido reclamar ao não ser admitido com positiva sob pena de se estar a criar um círculo vicioso”, esclareceu o sindicalista.

O também conhecido defensor dos professores do Ensino Geral no país, acusa, por outro lado, o próprio Ministério de ser o principal causador desse tipo de atitude pelo simples facto de haver, na sua visão, no concurso público de 202172022, uma segunda chamada para todos os positivistas.

“Pensamos ser o próprio Ministério, numa espécie de populismo, que acaba dando razão aos próprios candidatos ao estarem exigindo uma segunda chamada. Por exemplo, no concurso de 2022/2022, o Ministério chegou a repartir as cerca de 15 mil vagas em duas fases. Portanto, só esperamos que haja uma boa flexibilidade de ambas partes; porquanto o país tem uma carência de mais de 70 mil professores”, apelou.

Procurámos ouvir, na mesma ocasião, a responsável pelo gabinete provincial de Educação em Luanda, mas sem qualquer sucesso.

De recordar que no dia 24 de Janeiro, o Imparcial Press soube através da Só Pedagogia e Didáctica que, o Ministério da Educação aprovou o documento que atesta o pedido de enquadramento de todos os candidatos que obtiveram positivas, conforme o recibo nº B24012400310004526368.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido