
O Banco de Poupança e Crédito (BPC) encerrou 145 unidades de negócio, incluindo 100 balcões, centros de empresas e pontos de atendimento, entre 2020 e 2021, no âmbito do Plano de Reestruturação e Recapitalização (PRR) iniciado em 2019 e concluído em 2023.
Segundo o presidente do Conselho de Administração do BPC, Cláudio Pinheiro, esta medida, que visava optimizar a operação e ajustar o quadro de pessoal, resultou na dispensa de aproximadamente 500 funcionários, além de 600 trabalhadores foram despedidos por má conduta durante este período.
“O encerramento das unidades fazia parte de uma estratégia necessária para adequar a operação do banco à nova realidade, melhorar os resultados financeiros e garantir a sustentabilidade da instituição a longo prazo”, explicou Cláudio Pinheiro em entrevista a agência Angola Press.
De acordo com o responsável, o PRR previa, inicialmente, uma redução mais drástica no quadro de pessoal, com o objectivo de limitar o número de funcionários a 3.100. No entanto, o banco decidiu manter 3.400 trabalhadores distribuídos em 269 unidades de negócio, para assegurar a prestação de serviços mínimos nas províncias e municípios do país.
Manutenção dos serviços e controlo interno
Durante a entrevista, o PCA do BPC enfatizou que a decisão de não reduzir ainda mais o número de colaboradores foi tomada para preservar o funcionamento de unidades em regiões onde o encerramento de agências poderia impactar negativamente a população local.
“Optámos por manter as operações em áreas estratégicas para garantir que os serviços bancários continuassem acessíveis em todo o território nacional, equilibrando a reestruturação com a necessidade de manter o atendimento aos clientes”, esclareceu.
Além da reestruturação física e de pessoal, o BPC reforçou o seu controlo interno, o que resultou na demissão de 600 trabalhadores identificados como responsáveis por comportamentos inadequados para o sector bancário.
“O fortalecimento do controlo interno foi crucial para a estabilização do banco, eliminando riscos de fraude e melhorando a confiança dos clientes”, afirmou Cláudio Pinheiro.
Melhoria no atendimento e redução de reclamações
Paralelamente às mudanças estruturais, o BPC lançou o programa “Meu Balcão”, destinado principalmente ao atendimento de pensionistas, o que resultou em melhorias significativas no serviço prestado a esse público.
Como consequência, o banco registou uma queda acentuada nas reclamações dos clientes, passando de uma posição crítica entre os bancos de importância sistémica para o quinto lugar no ranking de menor número de queixas.
“O nosso foco foi sempre oferecer um serviço de qualidade, mesmo com as dificuldades impostas pela reestruturação. Ver essa melhoria reflectida na satisfação dos nossos clientes é uma prova de que estamos no caminho certo”, acrescentou Pinheiro.
Valorização dos trabalhadores e fim dos despedimentos
Além das medidas de reorganização, o banco implementou melhorias nas condições dos seus colaboradores. A tabela salarial foi reajustada de acordo com a taxa de inflação, o que recuperou o poder de compra dos trabalhadores.
Outras iniciativas incluíram a introdução de subsídios de risco e isolamento e o aumento do capital no seguro de saúde dos funcionários, factores que contribuíram para a retenção de talentos no banco.
Com o fim do PRR em 2023 e resultados financeiros considerados satisfatórios, o BPC não prevê mais despedimentos. Qualquer redução futura no quadro de pessoal deverá ocorrer de forma natural, através de reformas por tempo de serviço ou idade, ou por rescisões de contrato por mútuo acordo.
“Estamos comprometidos em manter o actual número de postos de trabalho, agora que o PRR chegou ao fim. O foco será continuar a fortalecer a instituição e assegurar um ambiente de trabalho estável para os nossos funcionários”, concluiu Cláudio Pinheiro.