
A Sonangol, empresa estatal angolana do sector petrolífero, anunciou que já procedeu à indemnização dos trabalhadores de empresas extintas e privatizadas que prestavam serviços à companhia, mas está a considerar acções legais contra alguns indivíduos por alegado comportamento oportunista.
Na passada sexta-feira, a empresa convocou uma conferência de imprensa para abordar os protestos de ex-trabalhadores e outros indivíduos que alegam ter vínculos com a Sonangol.
Estas manifestações, que têm vindo a decorrer há vários anos em frente à sede da companhia, intensificaram-se nos últimos dias, resultando em várias detenções.
Segundo a Sonangol, o recente movimento de reivindicações esconde “um grande aproveitamento oportunista, cujo objetivo é prejudicar a imagem e o bom nome da empresa, enquanto entidade pública e pilar da sustentabilidade económica do país”.
O porta-voz da petrolífera, Honorato Trozo, destacou que muitos manifestantes têm obstruído o acesso dos trabalhadores da Sonangol às instalações da empresa, o que classificou como “inaceitável”, acrescentando que, além dos atos de desordem, vários colaboradores da empresa têm sido alvo de ameaças de morte.
Honorato Trozo sublinhou que, nos últimos tempos, têm ocorrido várias manifestações de forma “sistemática”, envolvendo antigos funcionários de empresas como a SIIND, as unidades industriais da Zona Económica Especial (ZEE), a Sodispal e as empresas de Cedência Temporária de Trabalhadores (CTT).
Com a privatização das unidades industriais na ZEE em 2019, os postos de trabalho dessas unidades foram extintos e os vínculos laborais cessados, com aviso prévio e a respetiva compensação financeira, incluindo um bónus adicional devido à crescente insatisfação dos trabalhadores na altura.
Apesar das compensações, os trabalhadores continuaram a manifestar-se, desrespeitando os acordos mútuos de cessação de conflitos, de acordo com a Sonangol.
Relativamente à Sodispal, constituída em 1996 com 300 trabalhadores, a Sonangol decidiu pela extinção da empresa em 2010, cumprindo todas as disposições legais previstas para a cessação dos vínculos laborais.
O último caso mencionado pelo porta-voz remonta a 2017, quando a Sonangol encerrou a relação com uma empresa de cedência temporária de força de trabalho, devido a anomalias no seu funcionamento. Após a rescisão, vários trabalhadores apresentaram reclamações à Sonangol, que analisou alguns casos e efetuou melhorias, nomeadamente através de compensações adicionais.
Honorato Trozo classificou os recentes protestos como “atos de desordem e oportunismo”, salientando que muitas das manifestações têm contado com a presença de crianças e um elevado número de pessoas com deficiência, que nunca fizeram parte das empresas em questão.